Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo

Associação oral de fluoropirimidina (antimetabolito)

Tegafur/gimeracilo/oteracilo é uma associação oral em dose fixa de três substâncias ativas. O tegafur é um pró-fármaco que o organismo converte na substância anticancerígena 5-fluorouracilo (5-FU), o gimeracilo retarda a degradação do 5-FU através da inibição da enzima di-hidropirimidina desidrogenase (DPD) e o oteracilo reduz a atividade do 5-FU na mucosa normal do intestino. Na UE, está autorizado em adultos com cancro gástrico avançado, em associação com a cisplatina, e, em monoterapia ou com oxaliplatina ou irinotecano (com ou sem bevacizumab), no cancro colorretal metastático quando não é possível continuar outra fluoropirimidina devido a síndrome mão-pé ou toxicidade cardiovascular. As cápsulas são tomadas por via oral duas vezes por dia, fora das refeições, durante 14 ou 21 dias de cada ciclo, numa dose baseada na superfície corporal. A deficiência completa de DPD é uma contraindicação e recomenda-se a realização de um teste de deficiência de DPD antes do tratamento; a diarreia e a desidratação são as toxicidades limitantes da dose.

Disponível sob as marcas

Esta substância ativa é comercializada sob as seguintes marcas, consoante a região e o fabricante:

  • Teysuno ®

As marcas são marcas registadas dos respetivos titulares. A Pharmalogistic não representa, fabrica nem distribui os produtos de marca acima indicados.

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Perguntas frequentes

Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo: para que é utilizado?

Tegafur/gimeracilo/oteracilo é uma associação oral em dose fixa de três substâncias ativas.

Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo: é necessária receita médica?

Sim. Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo é um medicamento sujeito a receita médica. É necessária uma receita válida emitida por um médico licenciado, e as regras de prescrição do país de destino são verificadas antes de qualquer envio.

Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo: como deve ser conservado?

Conservar Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo a Sem condições especiais de conservação, na embalagem de origem, ao abrigo da luz e fora do alcance das crianças.

Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo: precisa de envio refrigerado (cadeia de frio)?

Não. Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo é estável a Sem condições especiais de conservação, pelo que basta uma embalagem de proteção padrão; durante o transporte, o produto continua protegido do calor e da humidade.

Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo: sob que marcas é comercializado?

Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo comercializa-se sob as marcas Teysuno, consoante o país e o fabricante. As marcas são propriedade dos respetivos titulares; a Pharmalogistic não representa nem distribui os produtos de marca.

Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo: que dosagens estão disponíveis?

Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo está disponível nas seguintes dosagens: 15 mg/4,35 mg/11,8 mg cápsulas duras (tegafur/gimeracilo/oteracilo), 20 mg/5,8 mg/15,8 mg cápsulas duras (tegafur/gimeracilo/oteracilo). A dosagem adequada e o esquema posológico são determinados pelo médico assistente.

Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo: qual é o prazo de validade?

O prazo de validade de Tegafur/Gimeracilo/Oteracilo é de 5 anos quando o produto é conservado conforme recomendado. Não utilizar após o prazo de validade impresso na embalagem.

Informação médica e orientações

Farmacologia, indicações e perfil de segurança desta substância ativa

Ação farmacológica

Teysuno é um medicamento antineoplásico oral do grupo das fluoropirimidinas (antimetabolito) que combina tegafur, gimeracilo e oteracilo numa razão molar de 1:0,4:1. A razão foi escolhida para manter a exposição ao 5-FU, e assim a atividade antitumoral, reduzindo ao mesmo tempo a toxicidade associada ao 5-FU isolado.

Mecanismo de ação

  • Tegafur: um pró-fármaco do 5-FU com boa biodisponibilidade oral. Após a absorção, é convertido gradualmente em 5-FU no fígado, principalmente pela enzima CYP2A6.
  • 5-FU: ativado no interior das células por fosforilação a monofosfato de 5-fluorodesoxiuridina (FdUMP). O FdUMP e o folato reduzido ligam-se à timidilato sintetase num complexo ternário que bloqueia a síntese de ADN; além disso, o trifosfato de 5-fluorouridina (FUTP) é incorporado no ARN e perturba as funções do ARN.
  • Gimeracilo: inibe de forma reversível e seletiva a DPD, a principal enzima que degrada o 5-FU, pelo que uma dose mais baixa de tegafur origina concentrações mais elevadas de 5-FU. Os picos de concentração e a exposição ao 5-FU foram cerca de 3 vezes mais elevados do que após tegafur isolado, embora a dose de tegafur fosse 16 vezes mais baixa. O uracilo plasmático regressou ao valor basal no prazo de cerca de 48 horas após uma dose, o que mostra que a inibição é reversível.
  • Oteracilo: inibe a orotato fosforribosiltransferase (OPRT). Em estudos em animais, atingiu concentrações elevadas no tecido gastrointestinal normal e muito mais baixas no sangue e no tumor; na mucosa gastrointestinal normal, diminui a atividade do 5-FU e, assim, a toxicidade gastrointestinal.

Farmacocinética

  • Absorção: após uma dose única de 50 mg (expressa em tegafur), os tempos medianos até ao pico foram de 0,5 horas para o tegafur, 1,0 hora para o gimeracilo, 2,0 horas para o oteracilo e 2,0 horas para o 5-FU. Com doses de 30 mg/m², o estado estacionário é atingido para os três componentes o mais tardar no dia 8. Quando tomado com alimentos, a exposição ao oteracilo diminui cerca de 71%, a ao gimeracilo cerca de 25% e a ao 5-FU cerca de 15%, enquanto a exposição ao tegafur não se altera; um inibidor da bomba de protões reduz este efeito dos alimentos sobre o oteracilo, mas não o elimina.
  • Distribuição: a ligação às proteínas plasmáticas é de 52,3% para o tegafur, 32,2% para o gimeracilo, 8,4% para o oteracilo e 18,4% para o 5-FU. Os volumes de distribuição, estimados a partir de dados de excreção urinária, são de aproximadamente 16, 17 e 23 l/m² para o tegafur, o gimeracilo e o oteracilo.
  • Metabolismo: a CYP2A6 converte o tegafur em 5-FU e a DPD degrada o 5-FU. Parte do oteracilo é degradada sem enzimas pelo suco gástrico em 5-azauracilo e depois em ácido cianúrico no intestino; pouco oteracilo é metabolizado no fígado.
  • Eliminação: após uma dose única, 3,8–4,2% do tegafur, 65–72% do gimeracilo e 3,5–3,9% do oteracilo são excretados inalterados na urina. As semividas variaram entre 6,7 e 11,3 horas para o tegafur, entre 3,1 e 4,1 horas para o gimeracilo e entre 1,8 e 9,5 horas para o oteracilo.
  • Populações especiais: o gimeracilo é depurado principalmente pelos rins, pelo que a exposição ao 5-FU aumenta na compromissão renal (ver Administração e posologia). Numa análise populacional, a exposição ao 5-FU tendeu a aumentar com a idade, em linha com a diminuição da depuração da creatinina.

Indicações

Teysuno está indicado em adultos:

  • Cancro gástrico avançado: tratamento em associação com a cisplatina.
  • Cancro colorretal metastático: em monoterapia ou em associação com oxaliplatina ou irinotecano, com ou sem bevacizumab, em doentes nos quais não é possível continuar o tratamento com outra fluoropirimidina devido a síndrome mão-pé ou toxicidade cardiovascular que se desenvolveu no contexto adjuvante ou metastático.

Contraindicações

  • Hipersensibilidade às substâncias ativas (tegafur, gimeracilo e oteracilo) ou a qualquer um dos excipientes.
  • Antecedentes de reações graves e inesperadas à terapêutica com fluoropirimidinas.
  • Deficiência completa conhecida de di-hidropirimidina desidrogenase (DPD).
  • Gravidez e amamentação.
  • Supressão grave da medula óssea (leucopenia, neutropenia ou trombocitopenia graves).
  • Doença renal terminal que requer diálise.
  • Administração concomitante de outras fluoropirimidinas com Teysuno.
  • Tratamento recente ou concomitante com brivudina.
  • Contraindicações para a cisplatina; para a oxaliplatina, o irinotecano e o bevacizumab, consultar os RCM correspondentes.

Efeitos indesejáveis

O perfil de segurança com cisplatina baseia-se principalmente em 593 doentes com cancro gástrico avançado, apoiado pela experiência pós-comercialização em mais de 866 000 doentes na Ásia (sobretudo no Japão). As reações graves mais frequentes (de grau 3 ou superior, em pelo menos 10% dos doentes) foram neutropenia, anemia e fadiga.

Muito frequentes (≥1/10): neutropenia, anemia, leucopenia, trombocitopenia; anorexia; neuropatia periférica; náuseas, diarreia, vómitos, obstipação; fadiga, astenia.

Frequentes (≥1/100 a <1/10): linfopenia, neutropenia febril; desidratação, hiponatremia, hipocaliemia, hipomagnesiemia, hipocalcemia, hipoalbuminemia, hipercaliemia; insónia; tonturas, cefaleia, alteração do paladar (disgeusia); perturbações visuais, perturbações lacrimais, outras perturbações oculares, conjuntivite, perturbações da córnea; deficiência auditiva, surdez; trombose venosa profunda, hipertensão, hipotensão; dispneia, epistaxe, soluços, tosse; dor abdominal, estomatite, inflamação gastrointestinal, hemorragia gastrointestinal, disfagia, desconforto abdominal, dispepsia, flatulência, secura da boca; hiperbilirrubinemia, aumento da alanina aminotransferase; hiperpigmentação da pele, erupção cutânea, síndrome de eritrodisestesia palmo-plantar (síndrome mão-pé), pele seca, alopecia, prurido; dor musculosquelética; compromissão renal, aumento da creatinina sanguínea, diminuição da taxa de filtração glomerular, aumento da ureia no sangue; perda de peso, febre, inflamação das mucosas, edema periférico, arrepios.

Pouco frequentes (≥1/1000 a <1/100): sépsis (incluindo sépsis neutropénica e choque séptico), pneumonia, infeções urinárias e outras infeções; pancitopenia, alterações do tempo de protrombina ou do INR; hipersensibilidade; hemorragia suprarrenal; hipofosfatemia, hiperglicemia, gota; confusão, ansiedade, depressão, alucinações; acidente vascular cerebral e outros acontecimentos cerebrovasculares, síncope, convulsões, ataxia, perda de consciência, encefalopatia; angina de peito, fibrilhação auricular, insuficiência cardíaca, derrame pericárdico, enfarte agudo do miocárdio; trombose arterial dos membros, tromboflebite, hematoma; embolia pulmonar; perfuração gastrointestinal, obstrução, íleo, esofagite, ascite; testes da função hepática anormais; erupção cutânea esfoliativa, dermatite alérgica; nefropatia tóxica, insuficiência renal, hematúria, oligúria; hemorragia tumoral; dor no peito, falência multiorgânica.

Raros e muito raros (<1/1000): reativação da hepatite B; coagulação intravascular disseminada; hiperamonemia; leucoencefalopatia, anosmia; doença pulmonar intersticial; pancreatite aguda, ileíte terminal; insuficiência hepática aguda; síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica, reações de fotossensibilidade, afeções das unhas; rabdomiólise. Estas frequências provêm da experiência pós-comercialização na Ásia.

As perturbações lacrimais (aumento da lacrimejação, olho seco, dacriostenose adquirida) foram as reações oculares mais frequentes. As reações de grau 3 ou superior e as reações graves foram mais frequentes em doentes com 70 anos de idade ou mais. A diarreia grave com desidratação, a neutropenia febril e a sépsis, a insuficiência renal, a reativação da hepatite B, as reações cutâneas graves e a toxicidade grave em doentes com deficiência de DPD são os riscos graves mais importantes.

Interações medicamentosas

Não foram realizados estudos de interação. As interações abaixo são as descritas no RCM; deve consultar-se a secção 4.5 do RCM para a lista completa.

  • Brivudina (contraindicada): a brivudina inibe a DPD, o que aumenta acentuadamente a toxicidade das fluoropirimidinas e pode ser fatal. Deve haver pelo menos 4 semanas entre o fim da brivudina e o início de Teysuno; a brivudina pode ser iniciada 24 horas após a última dose de Teysuno.
  • Outras fluoropirimidinas (capecitabina, 5-FU, tegafur, flucitosina): toxicidade aditiva, pelo que a administração concomitante é contraindicada. Recomenda-se um período de eliminação de, pelo menos, 7 dias entre Teysuno e outras fluoropirimidinas; quando Teysuno se segue a outra fluoropirimidina, aplica-se o período de eliminação indicado no RCM desse medicamento.
  • Inibidores da CYP2A6: evitar, porque reduzem a conversão do tegafur em 5-FU e, assim, a eficácia de Teysuno.
  • Ácido folínico (folinato): sem dados com Teysuno mais cisplatina; sabe-se que o ácido folínico potencia a atividade do 5-FU, pelo que se recomenda precaução.
  • Nitroimidazóis (incluindo metronidazol e misonidazol): sem dados com Teysuno mais cisplatina; podem reduzir a depuração do 5-FU e, assim, aumentar os seus níveis plasmáticos, e recomenda-se precaução porque a toxicidade de Teysuno pode aumentar.
  • Metotrexato: sem dados com Teysuno mais cisplatina; o metotrexato poliglutamado inibe a timidilato sintetase e a di-hidrofolato redutase e pode aumentar a citotoxicidade do 5-FU, pelo que se recomenda precaução porque a toxicidade de Teysuno pode aumentar.
  • Clozapina: sem dados com Teysuno mais cisplatina; devido a uma possível mielotoxicidade aditiva, recomenda-se precaução, uma vez que a administração concomitante pode aumentar o risco e a gravidade da toxicidade hematológica de Teysuno.
  • Cimetidina: sem dados com Teysuno mais cisplatina; pode reduzir a depuração do 5-FU e, assim, aumentar os seus níveis plasmáticos, e recomenda-se precaução porque a toxicidade de Teysuno pode aumentar.
  • Anticoagulantes derivados da cumarina: o INR ou o tempo de protrombina devem ser monitorizados de perto e a dose do anticoagulante ajustada; em ensaios clínicos, esta combinação foi associada a aumento do INR, hemorragia gastrointestinal, tendência hemorrágica, hematúria e anemia.
  • Fenitoína: as fluoropirimidinas podem aumentar a concentração plasmática de fenitoína e causar toxicidade da fenitoína. Os níveis sanguíneos ou plasmáticos de fenitoína devem ser monitorizados com frequência, a dose de fenitoína ajustada, se indicado, de acordo com o seu próprio RCM, e tomadas medidas adequadas se surgir toxicidade.
  • Alopurinol: dados não clínicos sugerem que pode diminuir a atividade antitumoral de Teysuno por supressão da fosforilação do 5-FU, pelo que se deve evitar a utilização concomitante.
  • Indutores da DPD: atualmente não se conhece nenhum; se fosse administrado um, a exposição ao 5-FU poderia não atingir o nível eficaz.
  • Cisplatina, oxaliplatina, irinotecano, bevacizumab: seguir as secções de interações dos respetivos RCM.
  • Alimentos: as cápsulas são tomadas pelo menos 1 hora antes ou depois de uma refeição porque os alimentos reduzem a absorção do oteracilo e do gimeracilo. Os doentes devem beber muitos líquidos para ajudar a prevenir a desidratação.

Administração e posologia

Teysuno só deve ser prescrito por um médico qualificado com experiência no tratamento de doentes com cancro com medicamentos antineoplásicos. Os doentes devem receber receitas em ambulatório para medicamentos antieméticos e antidiarreicos. As cápsulas são tomadas por via oral com água, pelo menos 1 hora antes ou 1 hora depois de uma refeição. A dose é calculada a partir da superfície corporal (SC) e expressa em teor de tegafur; a SC deve ser recalculada e a dose ajustada se o peso corporal se alterar em 10% ou mais, quando a alteração claramente não se deva a retenção de líquidos. O RCM apresenta quadros com a dose em mg e o número de cápsulas de 15 mg e de 20 mg para cada intervalo de SC.

Cancro gástrico avançado (com cisplatina)

  • Teysuno: 25 mg/m² (teor de tegafur) duas vezes por dia, de manhã e à noite, durante 21 dias consecutivos, seguidos de 7 dias de repouso (um ciclo). O ciclo é repetido a cada 4 semanas.
  • Cisplatina: 75 mg/m² por perfusão intravenosa uma vez a cada 4 semanas. A cisplatina é interrompida após 6 ciclos sem retirar Teysuno; se a cisplatina for interrompida mais cedo, Teysuno isolado pode ser retomado quando os critérios para reinício forem cumpridos. Ver o RCM da cisplatina para a hiper-hidratação antes do tratamento.
  • Monitorização: o hemograma, a função hepática, a função renal e os eletrólitos séricos são verificados com frequência. O tratamento é interrompido em caso de progressão da doença ou toxicidade intolerável.

Cancro colorretal metastático

  • Monoterapia: 30 mg/m² duas vezes por dia nos dias 1–14, seguidos de uma pausa de uma semana (com ou sem bevacizumab 7,5 mg/kg no dia 1).
  • Com oxaliplatina ou irinotecano: 25 mg/m² duas vezes por dia nos dias 1–14, seguidos de uma pausa de uma semana.

Ajustes da dose por toxicidade

  • Níveis de dose: no cancro gástrico, Teysuno é reduzido de 25 para 20 e depois para 15 mg/m² (cisplatina 75, 60, 45 mg/m²). No cancro colorretal, a monoterapia passa de 30 para 25 e depois para 20 mg/m², e a associação de 25 para 20 mg/m² (oxaliplatina de 130 para 100 mg/m²; para o irinotecano, utilizado a 150–225 mg/m², o RCM não faz recomendação de redução). Aplica-se um máximo de duas reduções consecutivas a cada medicamento, cada uma reduzindo a dose em cerca de 20–25%. Uma dose reduzida não volta a ser aumentada.
  • Toxicidade geral (grau CTCAE): grau 1, continuar com a mesma dose; grau 2, suspender até ao grau 0 ou 1, sem alteração da dose (otimizar primeiro a terapêutica antiemética em caso de náuseas ou vómitos de grau 2); grau 3 ou superior, suspender até ao grau 0 ou 1 e reduzir um nível de dose na primeira e na segunda ocorrência; interromper na terceira ocorrência. A critério do médico, o tratamento pode continuar em caso de reações com pouca probabilidade de se tornarem graves, como a alopecia ou a pele seca.
  • Função renal: a depuração da creatinina (ClCr) é determinada no dia 1 de cada ciclo. Com 50 ml/min ou mais, sem alteração; com 30–49 ml/min, iniciar com um nível de dose reduzido (cisplatina reduzida em 50%); abaixo de 30 ml/min, suspender até a ClCr ser de, pelo menos, 30 ml/min e depois iniciar com um nível de dose reduzido.
  • Hemograma: o tratamento é suspenso em caso de toxicidade hematológica grave (o quadro do RCM fixa limiares para neutrófilos, plaquetas e hemoglobina) e retomado com um nível de dose reduzido logo que os critérios de retoma sejam cumpridos: plaquetas ≥100 × 10⁹/l, neutrófilos ≥1,5 × 10⁹/l, hemoglobina ≥6,2 mmol/l, ClCr ≥30 ml/min e outra toxicidade no valor basal ou de grau 1.
  • Com cisplatina: Teysuno é administrado apenas nos dias 1–21 de um ciclo, e os dias omitidos por toxicidade não são compensados. Se for necessário um atraso para qualquer um dos medicamentos, ambos são atrasados até serem cumpridos os critérios de reinício para ambos, a menos que um seja interrompido definitivamente.

Populações especiais

  • Idosos: sem ajuste da dose padrão acima dos 70 anos em qualquer das indicações. Em doentes idosos mais vulneráveis com cancro colorretal metastático nos quais não é possível continuar outra fluoropirimidina devido a síndrome mão-pé ou cardiotoxicidade, a dose recomendada é de 20 mg/m² duas vezes por dia durante 14 dias consecutivos seguidos de 7 dias de repouso, com uma dose reduzida de oxaliplatina (100 mg/m² no dia 1 de um ciclo de 3 semanas).
  • Compromissão renal: ligeira (ClCr 51–80 ml/min), sem ajuste; moderada (30–50 ml/min), 20 mg/m² duas vezes por dia; grave (abaixo de 30 ml/min), não recomendado, a menos que o benefício claramente supere o risco, devido a uma possível maior incidência de acontecimentos adversos hematológicos e linfáticos. A doença renal terminal que requer diálise é uma contraindicação.
  • Compromissão hepática: sem ajuste da dose padrão.
  • Etnia: sem ajuste em doentes de etnia asiática.
  • Crianças e adolescentes: a segurança e a eficácia em menores de 18 anos não foram estabelecidas, e Teysuno não deve ser administrado a estes doentes.

Doses omitidas ou vomitadas

As doses omitidas por toxicidade não são compensadas. Se um doente vomitar após tomar uma dose, essa dose não deve ser substituída.

Advertências e precauções especiais

Deficiência de DPD e testes antes do tratamento

  • Risco: a atividade da DPD é limitante da velocidade na degradação do 5-FU. Os doentes com deficiência de DPD têm um risco aumentado de toxicidade das fluoropirimidinas, como estomatite, diarreia, inflamação das mucosas, neutropenia e neurotoxicidade. Esta toxicidade surge geralmente no primeiro ciclo ou após um aumento da dose.
  • Deficiência completa: rara (0,01–0,5% dos caucasianos). Estes doentes têm um risco elevado de toxicidade potencialmente fatal ou fatal e não devem ser tratados com Teysuno.
  • Deficiência parcial: estima-se que afete 3–9% da população caucasiana, com risco aumentado de toxicidade grave e potencialmente fatal. Deve ser considerada uma dose inicial reduzida. A deficiência de DPD é um parâmetro a ponderar juntamente com outras medidas de rotina para redução da dose; uma redução inicial pode afetar a eficácia e, na ausência de toxicidade grave, as doses seguintes podem ser aumentadas com monitorização cuidadosa.
  • Testes: recomendam-se testes de fenótipo e/ou genótipo antes de iniciar o tratamento, apesar da incerteza quanto ao melhor método antes do tratamento, e devem ser consideradas as normas de orientação clínica aplicáveis. Se os testes não tiverem sido feitos anteriormente, recomendam-se nos doentes que mudam para Teysuno a partir de outra fluoropirimidina devido a síndrome mão-pé ou toxicidade cardiovascular, para verificar se o estado da DPD teve um papel nessa toxicidade.
  • Genótipo: quatro variantes de DPYD (c.1905+1G>A, c.1679T>G, c.2846A>T e c.1236G>A/HapB3) podem causar ausência completa ou redução da atividade da DPD, e outras variantes raras também podem aumentar o risco. Certas combinações homozigóticas e heterozigóticas compostas causam ausência completa ou quase completa de atividade; os portadores heterozigóticos têm um risco aumentado de toxicidade grave. Em doentes caucasianos, as frequências heterozigóticas são de cerca de 1% para c.1905+1G>A, 1,1% para c.2846A>T, 2,6–6,3% para c.1236G>A/HapB3 e 0,07–0,1% para c.1679T>G. As quatro variantes são consideradas praticamente ausentes em pessoas de origem africana (afro-americana) ou asiática.
  • Fenótipo: recomenda-se a medição do nível sanguíneo de uracilo antes do tratamento, o substrato natural da DPD. Apesar da incerteza quanto aos limiares, um nível sanguíneo de uracilo de 16 ng/ml ou mais e abaixo de 150 ng/ml indica deficiência parcial de DPD, e 150 ng/ml ou mais indica deficiência completa de DPD.

Brivudina

A brivudina não deve ser administrada com Teysuno; foram notificados casos fatais com a capecitabina. Se a brivudina for administrada por engano, devem ser tomadas medidas eficazes para reduzir a toxicidade de Teysuno, recomenda-se a admissão imediata no hospital e devem ser iniciadas todas as medidas para prevenir a infeção sistémica e a desidratação.

Reativação da hepatite B

Teysuno pode reativar a hepatite B em portadores do vírus e em doentes com um padrão de infeção passada (antigénio HBc negativo e anticorpo HBc positivo, ou antigénio HBs negativo e anticorpo HBs positivo). Os doentes devem ser testados quanto à infeção por HBV antes do tratamento. Devem ser consultados peritos em doenças do fígado e hepatite B para os doentes com serologia positiva, incluindo doença ativa, e para os que tenham resultado positivo durante o tratamento. Os portadores que necessitem de Teysuno devem ser monitorizados de perto durante toda a terapêutica, com testes da função hepática ou marcadores virais de seguimento.

Supressão da medula óssea

Foram notificadas neutropenia, leucopenia, trombocitopenia, anemia e pancitopenia com Teysuno mais cisplatina. Os doentes com contagens baixas de glóbulos brancos devem ser vigiados quanto a infeção e tratados conforme clinicamente indicado (por exemplo, com antibióticos ou fator estimulador de colónias de granulócitos); os doentes com contagens baixas de plaquetas têm um risco aumentado de hemorragia. As doses são modificadas como descrito acima.

Diarreia e desidratação

A diarreia e a desidratação são as toxicidades limitantes da dose, mas a maioria das reações é reversível e pode ser controlada com terapêutica sintomática, interrupções de dose e reduções de dose. A terapêutica antidiarreica padrão (por exemplo, loperamida) e líquidos e eletrólitos por via intravenosa devem ser iniciados precocemente, e deve ser administrada profilaxia conforme indicado. É necessária a suspensão ou o ajuste da dose em caso de diarreia de grau 2 ou superior que persista apesar de tratamento adequado. A desidratação e a perturbação eletrolítica devem ser prevenidas ou corrigidas no início; os doentes com anorexia, astenia, náuseas, vómitos, diarreia, estomatite ou obstrução gastrointestinal devem ser monitorizados de perto. A desidratação de grau 2 ou superior exige a suspensão imediata e a correção, e o tratamento não é retomado até a desidratação e as suas causas estarem controladas.

Toxicidade renal

Com a cisplatina, pode ocorrer uma diminuição transitória da taxa de filtração glomerular, principalmente por fatores pré-renais como a desidratação e o desequilíbrio eletrolítico. Foram notificadas reações de grau 3 ou superior, incluindo aumento da creatinina, diminuição da depuração da creatinina, nefropatia tóxica e insuficiência renal aguda. A creatinina sérica e a ClCr devem ser monitorizadas de perto e as doses ajustadas. O gimeracilo é depurado principalmente pelo rim, pelo que na insuficiência renal a sua depuração diminui e a exposição ao 5-FU aumenta. O tratamento não é recomendado na compromissão renal grave, a menos que o benefício claramente supere o risco, em parte porque uma função renal flutuante pode levar a uma exposição ao 5-FU inesperadamente elevada.

Toxicidade ocular

As perturbações lacrimais (8,8% nos estudos do RCM de Teysuno com cisplatina) foram as perturbações oculares relacionadas com o tratamento mais frequentes. A maioria resolve-se ou melhora após a suspensão e o tratamento, como lágrimas artificiais, colírios antibióticos, tubos nos canalículos lacrimais ou óculos em vez de lentes de contacto. Aconselham-se a deteção precoce e uma consulta de oftalmologia precoce em caso de sintomas persistentes ou que reduzam a visão, como lacrimejo ou sintomas da córnea.

Outras advertências

  • Hiperamonemia: deve ser medida a amónia nos doentes com sintomas neurológicos inexplicados (ataxia, letargia, alteração do estado mental); deve ser considerada a descontinuação se se desenvolver encefalopatia hiperamonémica.
  • Cancro gástrico com instabilidade de microssatélites (MSI): Teysuno não foi estudado nestes doentes.
  • Outras fluoropirimidinas orais: não existem ensaios comparativos com outros compostos orais de 5-FU, pelo que Teysuno não pode ser utilizado como substituto destes.

Gravidez, amamentação e fertilidade

  • Gravidez: contraindicada. Foram notificadas anomalias fetais em alguns casos, e estudos em animais mostraram embrioletalidade e teratogenicidade, tal como com outras fluoropirimidinas. Se uma doente engravidar, o tratamento deve ser interrompido, o risco para o feto explicado e considerado o aconselhamento genético.
  • Contraceção: as mulheres com potencial para engravidar devem evitar engravidar. Os doentes do sexo masculino têm de utilizar contraceção durante o tratamento e até 3 meses após a interrupção; as doentes do sexo feminino durante o tratamento e até 6 meses após a interrupção.
  • Amamentação: contraindicada. Os dados em animais mostram excreção no leite, e não se pode excluir um risco para o lactente; a amamentação tem de ser interrompida durante o tratamento.
  • Fertilidade: sem dados em seres humanos. No rato, Teysuno não pareceu afetar a fertilidade masculina nem feminina. Ver o RCM da cisplatina para os seus efeitos.

Lactose

Cada cápsula de 15 mg contém 70,2 mg e cada cápsula de 20 mg 93,6 mg de lactose mono-hidratada. Os doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência total de lactase ou má absorção de glucose-galactose não devem tomar Teysuno.

Efeitos sobre a condução

Teysuno tem uma influência moderada sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas, porque a fadiga, as tonturas, a visão turva e as náuseas são frequentes com a cisplatina.

Condições de conservação

Teysuno não necessita de quaisquer condições especiais de conservação, e não é necessária cadeia de frio. As cápsulas apresentam-se em blisters opacos de PCTFE/PVC/alumínio de 14 cápsulas, em embalagens de 42, 84 ou 126 cápsulas; é possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

Prazo de validade

5 anos. Não utilizar após o prazo de validade indicado na embalagem.

Condições de dispensa em farmácia

Medicamento sujeito a receita médica (Rx), por prescrição de um médico qualificado com experiência no tratamento de doentes com cancro com medicamentos antineoplásicos. As cápsulas são tomadas em casa, pelo que Teysuno é fornecido ao doente ou à clínica que o trata mediante receita. Recomenda-se a realização de um teste de deficiência de DPD antes da primeira prescrição.

Outras substâncias ativas da mesma área terapêutica ou classe farmacológica.

Aviso importante

As informações fornecidas neste website destinam-se exclusivamente a fins de informação geral e educativos e não constituem aconselhamento médico, diagnóstico ou recomendação de tratamento. Estas informações não pretendem substituir a consulta com um profissional de saúde qualificado. Procure sempre o aconselhamento do seu médico, farmacêutico ou outro prestador de cuidados de saúde qualificado para qualquer questão relacionada com uma condição clínica ou um medicamento. Nunca ignore o aconselhamento médico profissional nem atrase a sua procura por causa de informações apresentadas neste website. A disponibilidade dos produtos, as indicações aprovadas e a informação de prescrição podem variar consoante o país. Muitos dos medicamentos referidos estão sujeitos a receita médica; sempre que uma receita seja exigida, esta deve ser válida no país de destino, e os produtos devem ser utilizados sob supervisão médica. Não adquirimos, enviamos nem listamos substâncias controladas ao abrigo da lei austríaca dos estupefacientes (Suchtmittelgesetz, SMG) ou de regulamentação internacional equivalente.

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Fonte da informação

Esta informação sobre o produto baseia-se em:

DrugBank — Tegafur (DB09256), Gimeracil (DB09257) and Oteracil (DB03209); EMA SmPC — Teysuno

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