Obinutuzumab

Anticorpo monoclonal anti-CD20 (do tipo II, glicomodificado)

O obinutuzumab é um anticorpo monoclonal humanizado do tipo II, glicomodificado, da classe IgG1, que se liga ao CD20, uma proteína na superfície dos linfócitos pré-B e B maduros. Provoca a depleção dos linfócitos B ao induzir a morte celular direta e ao recrutar células efetoras imunitárias (citotoxicidade celular dependente de anticorpos e fagocitose), com um baixo grau de destruição mediada pelo complemento. Na UE, o Gazyvaro está autorizado com clorambucilo na leucemia linfocítica crónica (LLC) não tratada anteriormente em doentes não elegíveis para terapêutica à base de fludarabina em dose completa, com quimioterapia e depois como manutenção no linfoma folicular (LF) avançado e com bendamustina no LF que não respondeu ao rituximab, e com micofenolato de mofetilo na nefrite lúpica ativa de classe III ou IV. É administrado por perfusão intravenosa sob a vigilância estreita de um médico experiente, com meios de reanimação completos disponíveis. As reações relacionadas com a perfusão são a reação adversa mais frequente, sobretudo durante a primeira perfusão.

Disponível sob as marcas

Esta substância ativa é comercializada sob as seguintes marcas, consoante a região e o fabricante:

  • Gazyvaro ®

As marcas são marcas registadas dos respetivos titulares. A Pharmalogistic não representa, fabrica nem distribui os produtos de marca acima indicados.

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Perguntas frequentes

Obinutuzumab: para que é utilizado?

O obinutuzumab é um anticorpo monoclonal humanizado do tipo II, glicomodificado, da classe IgG1, que se liga ao CD20, uma proteína na superfície dos linfócitos pré-B e B maduros.

Obinutuzumab: é necessária receita médica?

Sim. Obinutuzumab é um medicamento sujeito a receita médica. É necessária uma receita válida emitida por um médico licenciado, e as regras de prescrição do país de destino são verificadas antes de qualquer envio.

Obinutuzumab: como deve ser conservado?

Conservar Obinutuzumab a 2–8 °C; não congelar; proteger da luz (manter o frasco para injetáveis na embalagem exterior), na embalagem de origem, ao abrigo da luz e fora do alcance das crianças. Após a primeira utilização: Após diluição em cloreto de sódio 9 mg/ml (0,9 %) a 0,4–20 mg/ml: estável durante 72 horas a 2–8 °C, seguidas de 48 horas (incluindo o tempo de perfusão) a temperaturas até 30 °C. Utilizar imediatamente sempre que possível; caso contrário, a conservação durante a utilização é da responsabilidade do utilizador e normalmente não deve exceder 24 horas a 2–8 °C, a menos que a diluição tenha sido efetuada em condições assépticas controladas e validadas..

Obinutuzumab: precisa de envio refrigerado (cadeia de frio)?

Sim. Obinutuzumab exige conservação a 2–8 °C; não congelar; proteger da luz (manter o frasco para injetáveis na embalagem exterior), pelo que o envio é feito em embalagem isotérmica com elementos de refrigeração dimensionados para todo o tempo de trânsito, mantendo a cadeia de temperatura ininterrupta desde a expedição até à entrega.

Obinutuzumab: sob que marcas é comercializado?

Obinutuzumab comercializa-se sob as marcas Gazyvaro, consoante o país e o fabricante. As marcas são propriedade dos respetivos titulares; a Pharmalogistic não representa nem distribui os produtos de marca.

Obinutuzumab: que dosagens estão disponíveis?

Obinutuzumab está disponível nas seguintes dosagens: 1000 mg/40 ml (25 mg/ml) concentrado para solução para perfusão. A dosagem adequada e o esquema posológico são determinados pelo médico assistente.

Obinutuzumab: qual é o prazo de validade?

O prazo de validade de Obinutuzumab é de 3 anos (frasco para injetáveis não aberto) quando o produto é conservado conforme recomendado. Não utilizar após o prazo de validade impresso na embalagem.

Informação médica e orientações

Farmacologia, indicações e perfil de segurança desta substância ativa

Ação farmacológica

O obinutuzumab é um anticorpo anti-CD20 do tipo II recombinante, humanizado e glicomodificado, do isotipo IgG1. Liga-se à ansa extracelular do antigénio transmembranar CD20 nos linfócitos pré-B e B maduros, normais e malignos, e assim provoca a depleção dos linfócitos B. Nos cancros linfoides, isto elimina as células malignas; na nefrite lúpica, elimina os linfócitos B que impulsionam a doença renal autoimune.

Mecanismo de ação

  • Alvo: o CD20 encontra-se nos linfócitos pré-B e B maduros, normais e malignos, mas não nas células estaminais hematopoiéticas, nas células pró-B, nos plasmócitos normais nem noutros tecidos normais.
  • Morte celular direta: como anticorpo do tipo II, o obinutuzumab induz com maior intensidade a morte celular direta, e com menor intensidade a citotoxicidade dependente do complemento, do que os anticorpos do tipo I numa dose equivalente. In vivo, medeia apenas um baixo grau de citotoxicidade dependente do complemento.
  • Células efetoras imunitárias: a glicoengenharia da parte Fc confere maior afinidade para os recetores FcγRIII nas células natural killer, nos macrófagos e nos monócitos. Isto potencia a citotoxicidade celular dependente de anticorpos e a fagocitose em comparação com os anticorpos sem glicoengenharia numa dose equivalente.
  • Depleção dos linfócitos B: em modelos animais, o obinutuzumab produziu uma potente depleção dos linfócitos B e eficácia antitumoral. No estudo principal na LLC (CLL11), 91 % (40 de 44) dos doentes avaliáveis apresentavam depleção de linfócitos B (contagem de linfócitos B CD19 positivos inferior a 0,07 × 10⁹/l) no final do tratamento e mantiveram-na durante os primeiros 6 meses de seguimento. Os linfócitos B recuperaram em 12–18 meses em 35 % dos doentes sem doença progressiva e em 13 % dos que tinham doença progressiva.

Farmacocinética

  • Absorção: o obinutuzumab é administrado por via intravenosa, pelo que a absorção não se aplica. Após a perfusão do dia 1 do ciclo 6, os modelos populacionais dão uma concentração máxima mediana de 465,7 μg/ml na LLC e 539,3 μg/ml no linfoma não Hodgkin indolente (LNHi), com uma AUC durante o intervalo de administração de 8961 e 10 956 μg·dia/ml. Na nefrite lúpica (NL) no estado estacionário, a concentração máxima mediana é de 468 μg/ml e a AUC de 8740 μg·dia/ml.
  • Distribuição: o volume do compartimento central é de 2,98 l na LLC, 2,97 l no LNHi e 2,22 l na NL, próximo do volume sérico. A distribuição está em grande parte limitada ao plasma e ao líquido intersticial.
  • Metabolismo: não foi estudado diretamente. Os anticorpos são eliminados sobretudo por catabolismo.
  • Eliminação: a depuração é de cerca de 0,11 l/dia na LLC e 0,08 l/dia no LNHi, com uma semivida de eliminação mediana de 26,4 dias na LLC e 36,8 dias no LNHi. Na NL, a depuração no estado estacionário é de cerca de 0,13 l/dia e a semivida mediana de 22,4 dias. Duas vias paralelas eliminam-no: uma via linear e uma via não linear, variável no tempo. No início do tratamento predomina a via não linear (disposição mediada pelo alvo, porque muitas células CD20 positivas removem o anticorpo), e o seu papel diminui à medida que as células alvo são ligadas e depletadas.
  • Populações especiais: não é necessário ajuste da dose em função da idade nem no compromisso renal ligeiro a moderado (ver Administração e posologia).

Indicações

  • Leucemia linfocítica crónica (LLC): em associação com clorambucilo, em adultos com LLC não tratada anteriormente e com comorbilidades que os tornam não elegíveis para terapêutica à base de fludarabina em dose completa.
  • Linfoma folicular (LF), não tratado anteriormente: em associação com quimioterapia, seguida de manutenção com Gazyvaro nos doentes que respondem, em doentes com LF avançado não tratado anteriormente.
  • Linfoma folicular, após rituximab: em associação com bendamustina, seguida de manutenção com Gazyvaro, em doentes com LF que não responderam ou que progrediram durante ou até 6 meses após o tratamento com rituximab ou com um regime contendo rituximab.
  • Nefrite lúpica (NL): em associação com micofenolato de mofetilo (MMF), em adultos com nefrite lúpica ativa de classe III ou IV, com ou sem classe V concomitante. Esta é a utilização nefrológica do medicamento.

Contraindicações

  • Hipersensibilidade ao obinutuzumab ou a qualquer um dos excipientes.

Efeitos indesejáveis

As reações adversas mais frequentes são as reações relacionadas com a perfusão (RRP), que ocorrem sobretudo durante os primeiros 1000 mg. O RCM descreve separadamente os dados de segurança em oncologia (LLC e LF) e na nefrite lúpica. As frequências indicadas abaixo dizem respeito à LLC e ao linfoma não Hodgkin indolente, incluindo o LF, a partir dos três estudos principais (CLL11, GALLIUM e GADOLIN), para as reações pelo menos 2 % mais frequentes do que com o comparador. O obinutuzumab foi administrado com clorambucilo, bendamustina, CHOP ou CVP, pelo que algumas reações resultam em parte da quimioterapia.

Muito frequentes (≥1/10): reações relacionadas com a perfusão; infeção das vias respiratórias superiores, sinusite, infeção do trato urinário, pneumonia, herpes zoster, nasofaringite; neutropenia, trombocitopenia, anemia, leucopenia; insónia; cefaleia; tosse; diarreia, obstipação; alopecia, prurido; artralgia, dor nas costas, dor nas extremidades; pirexia, astenia, fadiga.

Frequentes (≥1/100 a <1/10): herpes oral, rinite, faringite, infeção pulmonar, gripe; carcinoma espinocelular da pele, carcinoma basocelular; neutropenia febril; síndrome de lise tumoral, hiperuricemia, hipocaliemia; depressão, ansiedade; fibrilhação auricular; hipertensão; congestão nasal, rinorreia, dor orofaríngea; dispepsia, hemorroidas, perfuração gastrointestinal; eczema; dor torácica musculosquelética, dor óssea; disúria, incontinência urinária; dor torácica; diminuição da contagem de glóbulos brancos e de neutrófilos, aumento de peso.

Pouco frequentes (≥1/1000 a <1/100): reativação da hepatite B; coagulação intravascular disseminada; hipogamaglobulinemia.

Raros (≥1/10 000 a <1/1000): síndrome de libertação de citocinas.

Desconhecido: leucoencefalopatia multifocal progressiva (LMP).

As reações graves (grau 3–5) mais frequentes são neutropenia, trombocitopenia e reações relacionadas com a perfusão. As reações graves importantes são as RRP graves ou potencialmente fatais e a hipersensibilidade, a síndrome de lise tumoral, a neutropenia prolongada ou de aparecimento tardio, a trombocitopenia aguda com hemorragia fatal, a coagulação intravascular disseminada, as infeções graves, incluindo a reativação da hepatite B e a LMP, e os acontecimentos cardíacos em doentes com doença cardíaca.

Interações medicamentosas

Não foram realizados estudos formais de interação, embora tenham sido efetuados subestudos limitados com bendamustina, CHOP, fludarabina com ciclofosfamida e clorambucilo. Não se pode excluir um risco de interação com outros medicamentos.

  • Interações farmacocinéticas: o obinutuzumab não é substrato, inibidor nem indutor das enzimas do citocromo P450, das enzimas UGT nem de transportadores como a glicoproteína P, pelo que não se espera interação com os medicamentos processados por estes sistemas. Não alterou a farmacocinética de bendamustina, fludarabina com ciclofosfamida, clorambucilo nem dos componentes do CHOP, e nenhum deles alterou a do obinutuzumab.
  • Vacinas de vírus vivos: não recomendadas durante o tratamento e até à recuperação dos linfócitos B, devido ao efeito imunossupressor do obinutuzumab.
  • Quimioterapia: a associação do obinutuzumab com clorambucilo, bendamustina, CHOP ou CVP pode aumentar o risco de neutropenia.
  • Medicamentos anti-hipertensores: pode ocorrer hipotensão durante a perfusão. Considerar a suspensão dos anti-hipertensores durante as 12 horas anteriores a cada perfusão, durante a mesma e durante a primeira hora seguinte; nos doentes com risco agudo de crise hipertensiva, ponderar os benefícios e os riscos de os suspender.
  • Inibidores plaquetários e anticoagulantes: podem agravar os acontecimentos relacionados com a trombocitopenia, sobretudo no primeiro ciclo.

Administração e posologia

O Gazyvaro deve ser administrado sob a vigilância estreita de um médico experiente, num ambiente onde existam imediatamente disponíveis meios de reanimação completos. É administrado por perfusão intravenosa através de uma linha dedicada após diluição (ver secção 6.6 do RCM), nunca por injeção intravenosa rápida nem em bólus. Devem registar-se o nome e o número do lote do produto administrado.

Profilaxia e pré-medicação

  • Síndrome de lise tumoral: os doentes com elevada carga tumoral, contagem de linfócitos circulantes superior a 25 × 10⁹/l ou compromisso renal (depuração da creatinina inferior a 70 ml/min) estão em risco e devem receber profilaxia: hidratação adequada e um uricostático como o alopurinol, ou uma urato oxidase como a rasburicase, começando 12–24 horas antes da perfusão. Repetir antes de cada perfusão, se apropriado.
  • Reações relacionadas com a perfusão na LLC e no LF: no dia 1 do ciclo 1, um corticosteroide intravenoso concluído pelo menos 1 hora antes da perfusão (obrigatório na LLC, recomendado no LF), mais um analgésico/antipirético oral como o paracetamol e um anti-histamínico pelo menos 30 minutos antes. Na LLC, é também obrigatório um corticosteroide intravenoso no dia 2 do ciclo 1. Exemplos são 100 mg de prednisona/prednisolona, 20 mg de dexametasona ou 80 mg de metilprednisolona; a hidrocortisona não deve ser utilizada porque não reduziu as taxas de RRP.
  • Perfusões posteriores na LLC e no LF: um analgésico/antipirético oral se a perfusão anterior não causou RRP; adicionar um anti-histamínico após uma RRP de grau 1 ou 2; administrar um corticosteroide intravenoso, um analgésico e um anti-histamínico após uma RRP de grau 3 ou quando a contagem de linfócitos antes do tratamento seguinte for superior a 25 × 10⁹/l.
  • Nefrite lúpica: todos os doentes recebem metilprednisolona intravenosa (80 mg) concluída 30–60 minutos antes da perfusão, um analgésico/antipirético oral (por exemplo, 650–1000 mg de paracetamol) e um anti-histamínico. A partir da dose 6, o corticosteroide é administrado apenas aos doentes que tiveram uma RRP com a perfusão anterior.

Dose recomendada

  • LLC (com clorambucilo, seis ciclos de 28 dias): o ciclo 1 consiste em 100 mg no dia 1, 900 mg no dia 2 (ou continuação do dia 1), depois 1000 mg no dia 8 e no dia 15. Os ciclos 2–6 consistem em 1000 mg no dia 1. São preparados dois sacos de perfusão (100 mg e 900 mg). Se o primeiro saco terminar sem alterações da velocidade nem interrupções, o segundo pode ser administrado no mesmo dia sem repetir a pré-medicação, desde que o tempo, as condições e a vigilância o permitam. Se a velocidade tiver sido alterada ou a perfusão interrompida durante os primeiros 100 mg, administrar o segundo saco no dia seguinte.
  • LF, não tratado anteriormente: com quimioterapia sob a forma de seis ciclos de 28 dias com bendamustina, seis ciclos de 21 dias com CHOP seguidos de 2 ciclos adicionais de Gazyvaro isolado, ou oito ciclos de 21 dias com CVP. O ciclo 1 consiste em 1000 mg nos dias 1, 8 e 15, depois 1000 mg no dia 1 dos ciclos seguintes. Os doentes com resposta completa ou parcial recebem depois 1000 mg isolado a cada 2 meses durante 2 anos ou até à progressão.
  • LF, após rituximab: com bendamustina durante seis ciclos de 28 dias, utilizando o mesmo esquema de 1000 mg (dias 1, 8 e 15 do ciclo 1, depois dia 1 dos ciclos 2–6). Os doentes com resposta completa ou parcial, ou doença estável, recebem depois 1000 mg a cada 2 meses durante 2 anos ou até à progressão.
  • Nefrite lúpica (com micofenolato de mofetilo): 1000 mg por via intravenosa como perfusão inicial, depois na semana 2, na semana 24 e na semana 26, e posteriormente a cada 6 meses (dose 5 seis meses após a dose 4). O estado e a resposta são avaliados na semana 76 e posteriormente, com uma análise de risco-benefício antes de continuar.

Velocidade de perfusão

  • LLC: ciclo 1, dia 1 (100 mg) a 25 mg/h durante 4 horas, sem aumentar a velocidade. Dia 2 (900 mg) a 50 mg/h se a perfusão anterior não causou RRP, aumentando 50 mg/h a cada 30 minutos até um máximo de 400 mg/h; após uma RRP, iniciar a 25 mg/h. As perfusões posteriores de 1000 mg iniciam-se a 100 mg/h (aumentando 100 mg/h a cada 30 minutos até 400 mg/h) se não houve RRP e a última velocidade anterior foi de 100 mg/h ou superior; após uma RRP, iniciar a 50 mg/h.
  • LF: ciclo 1, dia 1 a 50 mg/h, aumentando 50 mg/h a cada 30 minutos até um máximo de 400 mg/h. As perfusões posteriores iniciam-se a 100 mg/h (aumentando 100 mg/h a cada 30 minutos) após nenhuma RRP ou uma RRP de grau 1, e a 50 mg/h após uma RRP de grau 2 ou superior. Os doentes sem uma RRP de grau 3 ou superior no ciclo 1 podem receber uma perfusão de curta duração (cerca de 90 minutos) a partir do ciclo 2: 100 mg/h durante 30 minutos, depois 900 mg/h durante cerca de 60 minutos.
  • Nefrite lúpica: a perfusão inicial começa a 50 mg/h e aumenta 50 mg/h a cada 30 minutos até 400 mg/h; a partir da dose 2, 100 mg/h aumentando 100 mg/h a cada 30 minutos até 400 mg/h. Os doentes sem uma RRP de grau 3 ou superior com a perfusão anterior podem receber a perfusão de curta duração (100 mg/h durante 30 minutos, depois 900 mg/h durante cerca de 60 minutos) a partir da dose 2, com pré-medicação continuada.
  • Após uma RRP de grau 1–2 com sintomas persistentes, ou uma RRP de grau 3, durante uma perfusão de curta duração, a perfusão seguinte é administrada à velocidade padrão.

Gestão das reações relacionadas com a perfusão

  • Grau 4 (potencialmente fatal): parar a perfusão e suspender o tratamento definitivamente.
  • Grau 3 (grave): parar temporariamente a perfusão e tratar os sintomas. Quando se resolverem, reiniciar a não mais de metade da velocidade anterior e retomar o aumento da velocidade se não houver mais sintomas. Uma segunda RRP de grau 3 implica parar a perfusão e suspender definitivamente.
  • Grau 1–2 (ligeiro a moderado): reduzir a velocidade e tratar os sintomas. Continuar quando se resolverem e retomar o aumento da velocidade se não houver mais sintomas. Na nefrite lúpica, reduzir a velocidade para metade da que existia no momento da reação.

Modificações da dose, doses atrasadas e omitidas

  • Não são recomendadas reduções da dose de Gazyvaro.
  • Se uma dose planeada for omitida, administrá-la o mais rapidamente possível sem esperar pela dose planeada seguinte, e manter o intervalo planeado entre as doses. No LF, se a toxicidade antes do dia 8 ou do dia 15 do ciclo 1 atrasar o tratamento, essas doses são administradas após a resolução da toxicidade e as consultas seguintes são deslocadas em conformidade. Durante a manutenção, manter o calendário original.

Populações especiais

  • Idosos: sem ajuste da dose. A segurança e a eficácia na nefrite lúpica acima dos 65 anos não foram estabelecidas.
  • Compromisso renal: sem ajuste no compromisso ligeiro a moderado (depuração da creatinina 30–89 ml/min). A segurança e a eficácia no compromisso grave (inferior a 30 ml/min) não foram estabelecidas.
  • Compromisso hepático: a segurança e a eficácia não foram estabelecidas, e não pode ser feita nenhuma recomendação posológica específica.
  • Crianças e adolescentes: a segurança e a eficácia abaixo dos 18 anos não foram estabelecidas; não existem dados disponíveis.

Advertências e precauções especiais

Reações relacionadas com a perfusão e hipersensibilidade

As RRP foram as reações adversas mais frequentes, sobretudo durante os primeiros 1000 mg, e podem estar relacionadas com a síndrome de libertação de citocinas. Podem ser clinicamente indistinguíveis das reações alérgicas mediadas por IgE, como a anafilaxia. A maioria foi de ligeira a moderada e foi controlada abrandando ou interrompendo brevemente a primeira perfusão, mas ocorreram RRP graves e potencialmente fatais. O risco é maior com uma carga tumoral elevada ou uma contagem de linfócitos circulantes superior a 25 × 10⁹/l na LLC, com compromisso renal (depuração da creatinina inferior a 50 ml/min) e com uma pontuação na Cumulative Illness Rating Scale superior a 6 em conjunto com uma depuração da creatinina inferior a 70 ml/min. Não devem ser administradas mais perfusões após sintomas respiratórios agudos potencialmente fatais, uma RRP de grau 4 ou uma segunda RRP de grau 3. Os doentes com doença cardíaca ou pulmonar existente necessitam de uma vigilância cuidadosa durante e após a perfusão.

Foram notificadas hipersensibilidade imediata (anafilaxia) e retardada (doença do soro), raramente com a primeira perfusão. Se houver suspeita, parar a perfusão e suspender o tratamento definitivamente.

Síndrome de lise tumoral

Foi notificada síndrome de lise tumoral. Os doentes em risco necessitam da profilaxia descrita acima e de uma vigilância cuidadosa da função renal, do potássio e do ácido úrico nos primeiros dias. É tratada corrigindo as alterações eletrolíticas, vigiando a função renal e o equilíbrio hídrico, e com tratamento de suporte, incluindo diálise conforme indicado.

Neutropenia e trombocitopenia

Foi notificada neutropenia grave e potencialmente fatal, incluindo neutropenia febril. Vigiar com análises ao sangue regulares até à resolução, considerar o G-CSF e considerar o atraso das doses. A profilaxia antimicrobiana é fortemente recomendada na neutropenia grave com duração superior a uma semana, e deve ser considerada a profilaxia antiviral e antifúngica. Pode ocorrer neutropenia de aparecimento tardio (mais de 28 dias após o final do tratamento) ou neutropenia prolongada, e o compromisso renal (depuração da creatinina inferior a 50 ml/min) aumenta o risco.

Foi observada trombocitopenia grave e potencialmente fatal, incluindo trombocitopenia aguda nas 24 horas seguintes a uma perfusão, e foram notificados acontecimentos hemorrágicos fatais no ciclo 1, embora não tenha sido estabelecida uma relação clara. Vigiar de perto as plaquetas, sobretudo no primeiro ciclo, considerar o atraso das doses e ter em conta os inibidores plaquetários e os anticoagulantes. A transfusão fica ao critério do médico assistente.

Anomalias da coagulação

Foi notificada coagulação intravascular disseminada, incluindo casos fatais. A maioria dos casos foi não manifesta, com alterações das plaquetas e dos parâmetros laboratoriais de coagulação 1–2 dias após a primeira perfusão, que geralmente se resolveram em uma a duas semanas. Vigiar os casos suspeitos e parar o Gazyvaro ao primeiro sinal de suspeita de CID manifesta.

Doenças cardíacas

Nos doentes com doença cardíaca subjacente ocorreram arritmias (como a fibrilhação auricular), angina de peito, síndrome coronária aguda, enfarte do miocárdio e insuficiência cardíaca, por vezes como parte de uma RRP e por vezes com desfecho fatal. Vigiar de perto estes doentes e hidratar com precaução para evitar a sobrecarga de líquidos.

Infeções, hepatite B e LMP

Não administrar o Gazyvaro durante uma infeção ativa, e ter cuidado nos doentes com infeções recorrentes ou crónicas. Podem ocorrer infeções bacterianas e fúngicas graves e infeções virais novas ou reativadas durante e após o tratamento, e algumas foram fatais. Na LLC, os doentes com uma pontuação na Cumulative Illness Rating Scale superior a 6 e uma depuração da creatinina inferior a 70 ml/min têm um risco mais elevado. No LF, as taxas de infeção mais elevadas verificaram-se na fase de manutenção.

A reativação da hepatite B, por vezes com hepatite fulminante, insuficiência hepática e morte, pode ocorrer com os anticorpos anti-CD20. Rastrear todos os doentes para a hepatite B antes do tratamento (pelo menos HBsAg e HBcAb). Os doentes com hepatite B ativa não devem ser tratados, e os que tiverem serologia positiva devem ser vigiados e acompanhados para prevenir a reativação (em oncologia, após aconselhamento de especialistas em doenças do fígado).

Foi notificada LMP. Considerá-la em qualquer doente com sinais neurológicos novos ou alterados. Suspender o Gazyvaro durante a investigação (neurologista, RM, análise do líquido cefalorraquidiano para deteção do ADN do vírus JC) e parar definitivamente se a LMP for confirmada; considerar também reduzir ou parar a quimioterapia ou a imunossupressão concomitantes. Não foi notificada LMP nos estudos controlados por placebo na nefrite lúpica.

Imunização

As vacinas de vírus vivos ou atenuados não são recomendadas durante o tratamento e até à recuperação dos linfócitos B. Os lactentes de mães expostas ao Gazyvaro na gravidez devem ser vigiados quanto à depleção de linfócitos B, e as vacinas vivas devem ser adiadas até que a contagem de linfócitos B do lactente se tenha recuperado; o momento é discutido com o médico do lactente.

Linfoma folicular de baixo risco

No LF não tratado anteriormente, a eficácia nos doentes de baixo risco segundo o FLIPI (0–1) é atualmente inconclusiva. A escolha da terapêutica para estes doentes deve ponderar o perfil de segurança do Gazyvaro mais quimioterapia e a situação do doente.

Nefrite lúpica

As advertências sobre infeções, rastreio da hepatite B, neutropenia, RRP, LMP e imunização aplicam-se também na nefrite lúpica. Para as RRP, a pré-medicação com corticosteroides é obrigatória (ver acima). A segurança e a eficácia não foram estabelecidas acima dos 65 anos nem no compromisso renal grave (depuração da creatinina inferior a 30 ml/min).

Gravidez, amamentação e fertilidade

  • Contraceção: as mulheres com potencial para engravidar devem utilizar contraceção eficaz durante o tratamento e durante os 18 meses seguintes.
  • Gravidez: não existem dados em mulheres grávidas. Um estudo em macacos cynomolgus não mostrou toxicidade embriofetal nem efeitos teratogénicos, mas mostrou depleção completa dos linfócitos B nas crias, que recuperaram com restabelecimento da função imunitária nos 6 meses seguintes ao nascimento. O anticorpo parece atravessar a placenta, e pode esperar-se depleção de linfócitos B nos lactentes expostos. O Gazyvaro não deve ser administrado a mulheres grávidas, a menos que o benefício supere o risco.
  • Amamentação: o obinutuzumab é excretado no leite dos animais e a IgG humana é excretada no leite humano. As mulheres devem parar de amamentar durante o tratamento e durante os 18 meses seguintes à última dose.
  • Fertilidade: não foram realizados estudos específicos em animais sobre o efeito na fertilidade.

Efeitos sobre a condução

O Gazyvaro tem uma influência nula ou desprezável sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas. As RRP são muito frequentes com a primeira perfusão, e os doentes com sintomas relacionados com a perfusão não devem conduzir nem utilizar máquinas até que estes desapareçam.

Condições de conservação

Conservar o frasco para injetáveis no frigorífico, a 2–8 °C. Não congelar. Manter o frasco para injetáveis na embalagem exterior para o proteger da luz. Manter a cadeia de frio sem interrupções durante o transporte e o manuseamento.

Após diluição em solução de cloreto de sódio 9 mg/ml (0,9 %) a 0,4–20 mg/ml, a solução para perfusão é química e fisicamente estável durante 72 horas a 2–8 °C, seguidas de 48 horas (incluindo o tempo de perfusão) a temperaturas até 30 °C. Do ponto de vista microbiológico, a perfusão preparada deve ser utilizada imediatamente. Caso contrário, os tempos e as condições de conservação durante a utilização são da responsabilidade do utilizador e normalmente não seriam superiores a 24 horas a 2–8 °C, a menos que a diluição tenha sido efetuada em condições assépticas controladas e validadas.

Cada embalagem contém um frasco para injetáveis de vidro transparente do tipo I de 50 ml com rolha de borracha butílica, contendo 40 ml de concentrado.

Prazo de validade

3 anos para o frasco para injetáveis não aberto. Para a solução diluída, ver Condições de conservação.

Condições de dispensa em farmácia

Apenas mediante receita médica (Rx), medicamento sujeito a receita médica restrita (Anexo II B), iniciado e supervisionado por um médico experiente. O Gazyvaro é administrado por perfusão intravenosa onde existam meios de reanimação completos, pelo que é fornecido ao hospital ou à clínica que o administra, em entrega na cadeia de frio a 2–8 °C.

Outras substâncias ativas da mesma área terapêutica ou classe farmacológica.

Aviso importante

As informações fornecidas neste website destinam-se exclusivamente a fins de informação geral e educativos e não constituem aconselhamento médico, diagnóstico ou recomendação de tratamento. Estas informações não pretendem substituir a consulta com um profissional de saúde qualificado. Procure sempre o aconselhamento do seu médico, farmacêutico ou outro prestador de cuidados de saúde qualificado para qualquer questão relacionada com uma condição clínica ou um medicamento. Nunca ignore o aconselhamento médico profissional nem atrase a sua procura por causa de informações apresentadas neste website. A disponibilidade dos produtos, as indicações aprovadas e a informação de prescrição podem variar consoante o país. Muitos dos medicamentos referidos estão sujeitos a receita médica; sempre que uma receita seja exigida, esta deve ser válida no país de destino, e os produtos devem ser utilizados sob supervisão médica. Não adquirimos, enviamos nem listamos substâncias controladas ao abrigo da lei austríaca dos estupefacientes (Suchtmittelgesetz, SMG) ou de regulamentação internacional equivalente.

Consulte os nossos Termos e condições e o Aviso médico na íntegra

Fonte da informação

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DrugBank — Obinutuzumab (DB08935); EMA SmPC — Gazyvaro

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