Amsacrina
Citotóxico aminoacridínico (intercalante do ADN, inibidor da topoisomerase II)
A amsacrina é um derivado aminoacridínico citotóxico que se liga ao ADN por intercalação e inibe também a topoisomerase II, bloqueando a síntese de ADN nas células de divisão rápida. Está autorizada a nível nacional na UE (por exemplo, em França como Amsalyo) para o tratamento de indução e de manutenção das leucemias agudas linfoblásticas e mieloblásticas, principalmente após recidiva ou falência dos tratamentos convencionais. É reconstituída em água para preparações injetáveis, diluída em glicose isotónica e administrada apenas em perfusão intravenosa durante pelo menos 60 minutos, isolada ou com outros agentes citotóxicos, sob vigilância médica rigorosa. A mielossupressão grave ocorre em todos os doentes tratados com doses terapêuticas, e a cardiotoxicidade, com um risco particular de arritmia ventricular quando o potássio está baixo, é o outro grande perigo.
Disponível sob as marcas
Esta substância ativa é comercializada sob as seguintes marcas, consoante a região e o fabricante:
- Amsalyo ®
As marcas são marcas registadas dos respetivos titulares. A Pharmalogistic não representa, fabrica nem distribui os produtos de marca acima indicados.
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Perguntas frequentes
Amsacrina: para que é utilizado?
A amsacrina é um derivado aminoacridínico citotóxico que se liga ao ADN por intercalação e inibe também a topoisomerase II, bloqueando a síntese de ADN nas células de divisão rápida.
Amsacrina: é necessária receita médica?
Sim. Amsacrina é um medicamento sujeito a receita médica. É necessária uma receita válida emitida por um médico licenciado, e as regras de prescrição do país de destino são verificadas antes de qualquer envio.
Amsacrina: como deve ser conservado?
Conservar Amsacrina a Não conservar acima de 30 °C, na embalagem de origem, ao abrigo da luz e fora do alcance das crianças. Após a primeira utilização: Após reconstituição: estabilidade físico-química demonstrada durante 5 dias a 25 °C, mas, do ponto de vista microbiológico, deve ser utilizada imediatamente; caso contrário, a conservação é da responsabilidade do utilizador.
Amsacrina: precisa de envio refrigerado (cadeia de frio)?
Não. Amsacrina é estável a Não conservar acima de 30 °C, pelo que basta uma embalagem de proteção padrão; durante o transporte, o produto continua protegido do calor e da humidade.
Amsacrina: sob que marcas é comercializado?
Amsacrina comercializa-se sob as marcas Amsalyo, consoante o país e o fabricante. As marcas são propriedade dos respetivos titulares; a Pharmalogistic não representa nem distribui os produtos de marca.
Amsacrina: que dosagens estão disponíveis?
Amsacrina está disponível nas seguintes dosagens: 75 mg pó para solução para perfusão (frasco para injetáveis). A dosagem adequada e o esquema posológico são determinados pelo médico assistente.
Amsacrina: qual é o prazo de validade?
O prazo de validade de Amsacrina é de 3 anos quando o produto é conservado conforme recomendado. Não utilizar após o prazo de validade impresso na embalagem.
Informação médica e orientações
Farmacologia, indicações e perfil de segurança desta substância ativa
Ação farmacológica
A amsacrina é um agente citotóxico aminoacridínico. Liga-se ao ADN por intercalação e por forças eletrostáticas externas e inibe a síntese de ADN, enquanto a síntese de ARN não é afetada. O RCM acrescenta que poderá estar envolvido outro modo de ação, uma alteração da função da membrana celular.
Mecanismo de ação
- Ligação ao ADN: a amsacrina intercala-se no ADN e liga-se também ao seu exterior, com preferência pelos pares de bases A-T.
- Topoisomerase II: inibe a topoisomerase II e parece provocar quebras de cadeia dupla do ADN. A citotoxicidade é máxima na fase S do ciclo celular, quando os níveis de topoisomerase atingem o pico.
- Sensibilidade celular: as células de divisão rápida são duas a quatro vezes mais sensíveis à amsacrina do que as células em repouso.
Farmacocinética
- Absorção: a amsacrina é administrada por via intravenosa. As concentrações plasmáticas máximas dependem da dose, desde 0,18 µg/ml após uma dose intravenosa de 10 mg/m² até 4,8 µg/ml após 90 mg/m².
- Distribuição: 96 a 98% ligada às proteínas plasmáticas, pelo que pode ser deslocada da albumina por outros medicamentos com elevada ligação às proteínas.
- Metabolismo: extenso, principalmente hepático. Nos animais, os principais produtos são tioéteres da glutationa e derivados da acridina.
- Eliminação: nos animais, a maior parte do produto metabolizado é excretada na bílis e nas fezes (cerca de 80%) e o restante na urina (20%). Cerca de 20% da dose (livre e metabolizada) é eliminada na urina nas primeiras 8 horas e cerca de 42% em 72 horas. A semivida de eliminação é de cerca de 8 a 9 horas.
- Populações especiais: o compromisso renal ou hepático pode aumentar a toxicidade às doses recomendadas (ver Administração e posologia).
Indicações
- Leucemias agudas: tratamento de indução e de manutenção das leucemias agudas linfoblásticas e mieloblásticas.
- Contexto: está indicada principalmente na recidiva ou após falência dos tratamentos convencionais.
Contraindicações
- Hipersensibilidade à amsacrina, aos derivados da acridina ou a qualquer outro componente.
- Mielossupressão acentuada após agentes citostáticos ou radioterapia.
- Amamentação.
- Vacinas vivas atenuadas (contra a febre amarela, a varicela e o herpes zoster, o sarampo, a papeira, a rubéola, a tuberculose, o rotavírus, a gripe), também durante os 6 meses após a interrupção da quimioterapia: risco de doença vacinal generalizada, possivelmente fatal.
Efeitos indesejáveis
Os efeitos indesejáveis notificados com maior frequência são náuseas e vómitos, anemia, febre e infeções. Foram notificadas dor ou flebite durante a perfusão. Foi observada mielotoxicidade em todos os doentes tratados com doses terapêuticas; as infeções e a hemorragia são as suas principais complicações. A contagem de glóbulos brancos é mais baixa entre o dia 5 e o dia 12 e normalmente volta ao normal por volta do dia 25, e a contagem de plaquetas segue o mesmo curso.
Muito frequentes (≥1/10): hipotensão; náuseas, vómitos ligeiros a moderados, diarreia, dor abdominal, estomatite (inflamação que pode afetar toda a mucosa do tubo digestivo, de grau 1 a 4, e que pode demorar semanas a cicatrizar); púrpura; flebite no local de injeção; enzimas hepáticas elevadas.
Frequentes (≥1/100 a <1/10): infeção; trombocitopenia, pancitopenia, hemorragia; hipocaliemia; labilidade emocional; crise epilética (por vezes com hipocaliemia); cardiotoxicidade, arritmia, insuficiência cardíaca congestiva (particularmente em crianças previamente tratadas com antraciclinas); dispneia; hepatite, icterícia, insuficiência hepática; alopecia, urticária e erupção cutânea; hematúria; febre, irritação no local de injeção, necrose e inflamação da pele (relacionadas com a concentração de amsacrina perfundida).
Raros (≥1/10 000 a <1/1000): hipersensibilidade, reação anafilática, edema; perda de peso, aumento de peso; letargia, confusão; cefaleia, hipoestesia, tonturas, neuropatia periférica; perturbações visuais; fibrilhação auricular, taquicardia sinusal, arritmia ventricular (fatal ou com risco de vida, geralmente em doentes com hipocaliemia), cardiomiopatia, bradicardia, anomalias do ECG, diminuição da fração de ejeção; anúria, proteinúria, insuficiência renal aguda; bilirrubina, ureia, fosfatase alcalina e creatinina elevadas.
Desconhecido: hiperuricemia.
A tabela do RCM também indica a anemia, a granulocitopenia e a leucopenia como raras, o que não está de acordo com o texto do RCM (anemia entre as reações mais frequentes, mielotoxicidade em todos os doentes), pelo que não são colocadas aqui num grupo de frequência; ver o RCM.
Interações medicamentosas
- Vacinas vivas atenuadas: contraindicadas (ver Contraindicações).
- Fenitoína e fosfenitoína: não recomendadas. O citotóxico pode reduzir a absorção digestiva da fenitoína, com risco de convulsões, ou a fenitoína e a fosfenitoína podem aumentar o metabolismo hepático do citotóxico, aumentando a toxicidade ou causando perda de eficácia.
- Antagonistas da vitamina K: precauções de utilização. O cancro já aumenta o risco de trombose e hemorragia, e a quimioterapia pode interagir com estes medicamentos, pelo que o INR é verificado com mais frequência.
- Imunossupressores (ciclosporina, everolímus, sirolímus, tacrolímus, temsirolímus): a ter em conta, dado que é possível uma imunossupressão excessiva com risco de síndrome linfoproliferativo.
- Outros medicamentos com elevada ligação às proteínas: a amsacrina pode ser deslocada da albumina sérica, aumentando a sua fração livre e a sua toxicidade.
- Outros agentes citotóxicos: a sua utilização pode potenciar os efeitos indesejáveis. Com citarabina ou azacitidina, a dose total de amsacrina por ciclo não deve exceder 750 mg/m² (a toxicidade digestiva foi menos acentuada).
- Outras vacinas: a vacinação contra a gripe ou contra o pneumococo durante a terapêutica imunossupressora foi associada a uma resposta vacinal inadequada.
Administração e posologia
A amsacrina tem de ser administrada sob vigilância médica rigorosa. É um citotóxico, pelo que a solução tem de ser preparada por pessoal especializado e com formação, numa área dedicada, com equipamento de proteção (bata de mangas compridas, máscara, touca, óculos de proteção, luvas estéreis descartáveis). As excreções e os vómitos são manuseados com cuidado, as mulheres grávidas devem evitar manusear citotóxicos, um recipiente partido é tratado como resíduo contaminado e os resíduos contaminados são incinerados em recipientes rígidos etiquetados.
Preparação e administração
- Adicionar 50 ml de água para preparações injetáveis ao frasco para injetáveis de liofilizado, rodar suavemente sem agitar e deixar repousar cerca de 15 minutos. Repetir, se necessário, até se obter uma solução límpida de cor laranja intensa.
- Para a perfusão, retirar 50 ml de um saco de 500 ml de glicose isotónica e substituí-los pela solução reconstituída. Não deve ser utilizada solução salina isotónica, porque a amsacrina pode precipitar.
- Administrar apenas em perfusão intravenosa durante pelo menos 60 minutos, para evitar irritação local e flebite. Para uma perfusão diária ou contínua de 24 horas, aconselha-se um cateter central, para evitar a inflamação venosa. Parar a perfusão imediatamente se ocorrer extravasamento.
Doses recomendadas
A dose fica ao critério do médico, de acordo com a indicação, a idade e o estado do doente e, acima de tudo, a monitorização hematológica e clínica, em quimioterapia com um único agente ou em associação. As doses podem ser reduzidas quando a amsacrina é associada a outros agentes citostáticos ou citolíticos. As doses médias são:
- Indução, leucemias mieloblásticas: habitualmente 90 a 150 mg/m² por dia durante 5 dias consecutivos.
- Indução, leucemias linfoblásticas: 150 a 200 mg/m² por dia durante 5 dias consecutivos.
- Manutenção: 150 a 250 mg/m², numa única perfusão ou repartidos por 3 dias consecutivos, repetidos a cada 3 semanas.
Ajustes de dose
- Hemograma: o tratamento pode ter de ser interrompido ou a dose reduzida se as contagens de glóbulos brancos ou de plaquetas descerem abruptamente.
- Compromisso renal ou hepático: a toxicidade às doses recomendadas pode estar aumentada, pelo que a dose tem de ser adaptada, especialmente no compromisso hepático. Pode ser aconselhada uma redução de 20 a 30% das doses habituais.
- Com citarabina ou azacitidina: não mais de 750 mg/m² por ciclo.
Populações especiais
O RCM não indica doses separadas para doentes idosos ou crianças; a dose é estabelecida de acordo com a idade e o estado do doente. Após tratamento anterior com antraciclinas em dose elevada, deve procurar-se insuficiência cardíaca, particularmente em crianças (ver Advertências e precauções especiais).
Advertências e precauções especiais
Vigilância médica rigorosa e mielossupressão
A amsacrina pode causar mielossupressão grave, pelo que são necessários hemogramas frequentes, particularmente durante a indução, e são feitas verificações periódicas da medula óssea. As infeções e a hemorragia podem ser fatais. São necessárias verificações adicionais quando a mielossupressão já é induzida por fármacos. Têm de estar disponíveis concentrados de glóbulos vermelhos e de plaquetas e equipamento adequado para tratar a toxicidade da medula óssea.
Hiperuricemia
A destruição rápida das células tumorais pode aumentar o ácido úrico. Recomenda-se uma monitorização rigorosa dos níveis sanguíneos, particularmente devido ao risco para a função renal, e pode ser necessário reduzir o nível de forma profilática antes ou durante o tratamento.
Compromisso renal e hepático
A toxicidade pode estar aumentada no compromisso renal ou hepático. A função hepática e renal é verificada antes e durante o tratamento e a dose é adaptada (ver Administração e posologia).
Reações alérgicas, convulsões e extravasamento
Devem vigiar-se as reações alérgicas (anafilaxia, edema, reações cutâneas), as perturbações gastrointestinais e a epilepsia; as convulsões devidas à amsacrina podem ser tratadas com o tratamento habitual. O extravasamento pode causar necrose local. A irritação no local de injeção pode ser evitada diluindo a amsacrina num volume maior de glicose a 5% e prolongando o tempo de perfusão para pelo menos 1 hora.
Coração e potássio
Recomenda-se uma vigilância rigorosa do ritmo cardíaco para detetar a cardiotoxicidade. Os doentes com hipocaliemia têm um risco aumentado de fibrilhação ventricular, e o risco de arritmia pode ser reduzido mantendo o potássio normal antes e durante o tratamento. A hipocaliemia tem de ser corrigida antes da administração. Após tratamento anterior com antraciclinas em dose elevada, deve procurar-se insuficiência cardíaca, particularmente em crianças, e manter a função cardíaca sob vigilância especial.
Controlos laboratoriais
O hemograma, a função hepática e renal e os eletrólitos são verificados regularmente, e os eletrólitos são reavaliados antes de cada tratamento.
Gravidez, amamentação e fertilidade
- Contraceção: os doentes de ambos os sexos sexualmente ativos têm de utilizar contraceção eficaz durante o tratamento e durante 3 meses depois (mulheres) ou 6 meses depois (homens).
- Gravidez: os estudos em animais mostraram efeitos teratogénicos e outros efeitos sobre a reprodução. Não existem dados em seres humanos, mas, dado o seu mecanismo, a amsacrina pode prejudicar o feto. Não deve ser utilizada na gravidez, particularmente no primeiro trimestre, a menos que a situação clínica da mulher o justifique; o benefício é ponderado caso a caso.
- Amamentação: contraindicada durante o tratamento; a passagem para o leite materno é desconhecida.
- Fertilidade: foi observada azoospermia reversível nos homens.
Efeito sobre a condução
O efeito sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas não é conhecido. Dados os efeitos indesejáveis notificados, os doentes devem ter cuidado ao conduzir ou utilizar máquinas após a administração.
Condições de conservação
Conservar a uma temperatura não superior a 30 °C. Após a reconstituição, foi demonstrada estabilidade físico-química durante 5 dias a 25 °C, mas, do ponto de vista microbiológico, a solução deve ser utilizada imediatamente; caso contrário, os tempos e as condições de conservação são da responsabilidade do utilizador. Apresentação: pó num frasco para injetáveis de vidro castanho do tipo I de 50 ml com rolha de bromobutilo, em embalagens de 5.
Prazo de validade
3 anos. Após a reconstituição, ver Condições de conservação.
Condições de dispensa em farmácia
Apenas mediante receita médica (Rx). A amsacrina é um citotóxico administrado em perfusão intravenosa sob vigilância médica rigorosa, e a solução é preparada por pessoal especializado e com formação. É fornecida ao hospital ou à clínica que a administra.
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Fonte da informação
Esta informação sobre o produto baseia-se em:
DrugBank — Amsacrine (DB00276); ANSM SmPC — Amsalyo 75 mgÚltima revisão:
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