Linagliptina
Inibidor da DPP-4 (gliptina)
A linagliptina é um inibidor oral da dipeptidil peptidase-4 (DPP-4), a enzima que degrada as hormonas incretinas GLP-1 e GIP. Ao prolongar a ação destas hormonas, aumenta a libertação de insulina e diminui a libertação de glucagon de forma dependente da glucose, o que melhora o controlo da glicemia. Na UE está autorizada em adultos com diabetes mellitus tipo 2 como complemento da dieta e do exercício, isoladamente quando a metformina não é adequada ou em associação com outros medicamentos para a diabetes, incluindo a insulina. A dose é de 5 mg uma vez por dia, sem necessidade de ajuste em caso de compromisso renal nem em função da idade. A hipoglicemia ocorre principalmente quando é associada a uma sulfonilureia ou à insulina, e a pancreatite aguda e o penfigoide bolhoso são as principais advertências.
Disponível sob as marcas
Esta substância ativa é comercializada sob as seguintes marcas, consoante a região e o fabricante:
- Trajenta ®
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Perguntas frequentes
Linagliptina: para que é utilizado?
A linagliptina é um inibidor oral da dipeptidil peptidase-4 (DPP-4), a enzima que degrada as hormonas incretinas GLP-1 e GIP.
Linagliptina: é necessária receita médica?
Sim. Linagliptina é um medicamento sujeito a receita médica. É necessária uma receita válida emitida por um médico licenciado, e as regras de prescrição do país de destino são verificadas antes de qualquer envio.
Linagliptina: como deve ser conservado?
Conservar Linagliptina a Sem condições especiais de conservação, na embalagem de origem, ao abrigo da luz e fora do alcance das crianças.
Linagliptina: precisa de envio refrigerado (cadeia de frio)?
Não. Linagliptina é estável a Sem condições especiais de conservação, pelo que basta uma embalagem de proteção padrão; durante o transporte, o produto continua protegido do calor e da humidade.
Linagliptina: sob que marcas é comercializado?
Linagliptina comercializa-se sob as marcas Trajenta, consoante o país e o fabricante. As marcas são propriedade dos respetivos titulares; a Pharmalogistic não representa nem distribui os produtos de marca.
Linagliptina: que dosagens estão disponíveis?
Linagliptina está disponível nas seguintes dosagens: Comprimidos revestidos por película de 5 mg. A dosagem adequada e o esquema posológico são determinados pelo médico assistente.
Linagliptina: qual é o prazo de validade?
O prazo de validade de Linagliptina é de 3 anos quando o produto é conservado conforme recomendado. Não utilizar após o prazo de validade impresso na embalagem.
Informação médica e orientações
Farmacologia, indicações e perfil de segurança desta substância ativa
Ação farmacológica
A linagliptina inibe a enzima DPP-4, que inativa as hormonas incretinas GLP-1 (péptido-1 semelhante ao glucagon) e GIP (polipéptido insulinotrópico dependente da glucose). As incretinas são libertadas a um nível baixo ao longo do dia e aumentam imediatamente após uma refeição, e participam na regulação normal do equilíbrio da glucose.
Mecanismo de ação
- Efeito incretina: o GLP-1 e o GIP aumentam a síntese e a secreção de insulina pelas células beta do pâncreas com glicemia normal e elevada. O GLP-1 também diminui a secreção de glucagon pelas células alfa, o que reduz a produção de glucose pelo fígado.
- Inibição da DPP-4: a linagliptina liga-se à DPP-4 de forma muito eficaz e reversível, o que origina um aumento sustentado e uma prolongação dos níveis de incretinas ativas. A secreção de insulina é aumentada e a de glucagon diminuída de forma dependente da glucose, melhorando o controlo global da glucose.
- Seletividade: a linagliptina liga-se seletivamente à DPP-4, com uma seletividade mais de 10 000 vezes superior em relação à atividade da DPP-8 e da DPP-9 in vitro.
- Grau de inibição: foi notificado que uma dose oral de 5 mg inibe a DPP-4 em mais de 80 % durante, pelo menos, 24 horas.
- Efeito clínico: em oito ensaios de fase III (5239 doentes com diabetes tipo 2, 3319 dos quais a tomar linagliptina), a linagliptina uma vez por dia produziu melhorias clinicamente significativas do controlo glicémico, sem alteração clinicamente relevante do peso corporal.
Farmacocinética
- Absorção: rápida, com um tempo mediano até ao pico de 1,5 horas; a biodisponibilidade absoluta é de cerca de 30 %. Uma refeição rica em gordura atrasou o pico em 2 horas e reduziu a concentração máxima em 15 % sem alterar a exposição total, pelo que a linagliptina pode ser tomada com ou sem alimentos. O estado estacionário é atingido à terceira dose, e a exposição no estado estacionário é cerca de 33 % superior à observada após a primeira dose.
- Exposição não linear: como a linagliptina se liga à DPP-4 de forma dependente da concentração, a exposição total aumenta menos do que proporcionalmente à dose, enquanto a exposição não ligada aumenta aproximadamente de forma proporcional.
- Distribuição: o volume de distribuição no estado estacionário após uma dose intravenosa única de 5 mg é de cerca de 1110 litros, o que mostra uma ampla distribuição nos tecidos. A ligação às proteínas plasmáticas depende da concentração, diminuindo de cerca de 99 % a 1 nmol/l para 75–89 % a 30 nmol/l ou mais, à medida que a ligação à DPP-4 satura. A concentrações elevadas, 70–80 % está ligada a proteínas plasmáticas que não a DPP-4.
- Metabolismo: o metabolismo desempenha um papel menor na eliminação. Um metabolito principal (13,3 % da exposição à linagliptina no estado estacionário) é farmacologicamente inativo.
- Eliminação: as concentrações plasmáticas diminuem em três fases, com uma semivida terminal longa (mais de 100 horas) que reflete a ligação estreita à DPP-4 e não causa acumulação; a semivida efetiva para a acumulação é de cerca de 12 horas. Cerca de 85 % de uma dose radiomarcada foi recuperada em 4 dias, 80 % nas fezes e 5 % na urina. A depuração renal no estado estacionário é de cerca de 70 ml/min.
- Populações especiais: na diabetes tipo 2, a exposição é comparável à de indivíduos saudáveis no compromisso renal ligeiro, cerca de 1,7 vezes superior no compromisso moderado e cerca de 1,4 vezes superior no compromisso grave. A hemodiálise e a diálise peritoneal não removem uma quantidade terapeuticamente significativa. No compromisso hepático ligeiro, moderado e grave (Child-Pugh), a exposição média foi semelhante à dos controlos. O índice de massa corporal, o sexo, a raça e a idade (até 80 anos) não têm efeito clinicamente relevante. Em crianças e adolescentes dos 10 aos 17 anos, a exposição situou-se dentro do intervalo dos adultos.
Indicações
A linagliptina está indicada em adultos com diabetes mellitus tipo 2, como complemento da dieta e do exercício, para melhorar o controlo glicémico:
- Monoterapia: quando a metformina não é adequada devido a intolerância, ou está contraindicada devido a compromisso renal.
- Terapêutica combinada: com outros medicamentos para a diabetes, incluindo a insulina, quando estes não proporcionam um controlo glicémico adequado.
A linagliptina também está disponível em associações de dose fixa com metformina (Jentadueto) e com empagliflozina (Glyxambi); estas têm a sua própria informação do medicamento.
Contraindicações
- Hipersensibilidade à linagliptina ou a qualquer um dos excipientes.
Efeitos indesejáveis
Nos ensaios agrupados controlados por placebo, a taxa global de acontecimentos adversos foi semelhante com a linagliptina 5 mg e com o placebo (59,1 % versus 63,4 %), e a interrupção do tratamento devido a acontecimentos adversos foi ligeiramente menos frequente com a linagliptina (3,4 % versus 4,3 %). A reação notificada com maior frequência foi a hipoglicemia com a associação tripla de linagliptina, metformina e uma sulfonilureia (14,8 % versus 7,6 % com placebo). Em todos os estudos controlados por placebo, 4,9 % dos doentes a tomar linagliptina tiveram hipoglicemia como reação adversa (4,0 % ligeira, 0,9 % moderada e 0,1 % grave).
Muito frequentes (≥1/10): hipoglicemia (observada em associação com metformina mais uma sulfonilureia).
Frequentes (≥1/100 a <1/10): lipase aumentada (com base em aumentos superiores a 3 vezes o limite superior do normal nos ensaios clínicos).
Pouco frequentes (≥1/1000 a <1/100): nasofaringite; hipersensibilidade (por exemplo, hiperreatividade brônquica); tosse; obstipação (observada em associação com insulina); erupção cutânea (pós-comercialização); amilase aumentada.
Raros (≥1/10 000 a <1/1000): pancreatite e penfigoide bolhoso (ambos com base no estudo de segurança cardiovascular e renal CARMELINA); angioedema e urticária (pós-comercialização).
No estudo CARMELINA (3494 doentes a tomar linagliptina e 3485 a tomar placebo, com risco cardiovascular aumentado), os acontecimentos adversos globais e graves foram semelhantes nos dois grupos. A hipoglicemia grave que necessitou de assistência ocorreu em 3,0 % e 3,1 % dos doentes; entre os utilizadores de sulfonilureias em 2,0 % e 1,7 %, e entre os utilizadores de insulina em 4,4 % e 4,9 %. A pancreatite aguda adjudicada foi notificada em 0,3 % dos doentes a tomar linagliptina e 0,1 % a tomar placebo, e o penfigoide bolhoso em 0,2 % e em nenhum. Em crianças e adolescentes dos 10 aos 17 anos com diabetes tipo 2, o perfil de segurança foi semelhante ao dos adultos.
Interações medicamentosas
O risco de interações clinicamente significativas é baixo. In vitro, a linagliptina é um inibidor competitivo fraco e um inibidor fraco a moderado, baseado no mecanismo, da CYP3A4, não inibe outras enzimas CYP e não é um indutor. É um substrato da glicoproteína P e inibe apenas fracamente o transporte da digoxina mediado pela glicoproteína P.
- Rifampicina (um indutor potente da glicoproteína P e da CYP3A4): a exposição à linagliptina diminuiu cerca de 40 % (AUC no estado estacionário diminuída em 39,6 %, pico diminuído em 43,8 %) e a inibição da DPP-4 no vale cerca de 30 %. A eficácia total com indutores fortes da glicoproteína P pode não ser atingida, em particular com a utilização a longo prazo. Outros indutores potentes, como a carbamazepina, o fenobarbital e a fenitoína, não foram estudados.
- Ritonavir (um inibidor potente da glicoproteína P e da CYP3A4): a exposição à linagliptina aumentou cerca de duas vezes (AUC) e três vezes (pico), e as concentrações não ligadas 4–5 vezes, sem maior acumulação. Estas alterações não foram consideradas clinicamente relevantes, e não se esperam interações relevantes com outros inibidores da glicoproteína P ou da CYP3A4.
- A metformina e a glibenclamida não alteraram de forma significativa a exposição à linagliptina.
- Efeito da linagliptina noutros medicamentos: sem efeito clinicamente relevante na metformina, na glibenclamida, na sinvastatina, na varfarina, na digoxina ou nos contracetivos orais (levonorgestrel e etinilestradiol). A exposição à glibenclamida diminuiu 14 % (não relevante), e não se espera que sulfonilureias semelhantes (glipizida, tolbutamida, glimepirida) interajam. Com uma dose supraterapêutica de 10 mg de linagliptina, a exposição à sinvastatina aumentou 34 % e o seu pico 10 %.
- Sulfonilureias e insulina: causam hipoglicemia, pelo que pode ser considerada uma dose mais baixa da sulfonilureia ou da insulina quando se adiciona a linagliptina.
- Álcool: deve evitar-se o consumo excessivo ou crónico de álcool, uma vez que pode aumentar o risco de efeitos indesejáveis graves.
Administração e posologia
A linagliptina é um comprimido de toma única diária, por via oral, com ou sem refeição e a qualquer hora do dia.
Dose recomendada
- 5 mg uma vez por dia.
- Adicionada à metformina: a dose de metformina é mantida e a linagliptina é administrada ao mesmo tempo.
- Com uma sulfonilureia ou insulina: pode ser considerada uma dose mais baixa da sulfonilureia ou da insulina para reduzir o risco de hipoglicemia.
Populações especiais
- Compromisso renal: sem ajuste de dose.
- Compromisso hepático: os estudos farmacocinéticos sugerem que não é necessário ajuste de dose, mas falta experiência clínica nestes doentes.
- Idosos: sem ajuste de dose com base na idade.
- Crianças e adolescentes: um ensaio clínico não estabeleceu a eficácia em doentes dos 10 aos 17 anos de idade, pelo que o tratamento de crianças e adolescentes não é recomendado. A linagliptina não foi estudada abaixo dos 10 anos.
Dose esquecida
Deve ser tomada logo que a pessoa se lembre. Não tome uma dose a dobrar no mesmo dia.
Advertências e precauções especiais
Diabetes tipo 1 e cetoacidose
A linagliptina não deve ser utilizada em doentes com diabetes tipo 1 nem para tratar a cetoacidose diabética.
Hipoglicemia
A linagliptina isolada teve uma taxa de hipoglicemia comparável à do placebo, e a taxa foi semelhante à do placebo quando adicionada à metformina. Quando adicionada a uma sulfonilureia (com metformina como terapêutica de base), a hipoglicemia foi mais frequente do que com placebo. Sabe-se que as sulfonilureias e a insulina causam hipoglicemia, pelo que é necessária precaução com as associações e pode ser considerada uma redução da dose.
Pancreatite aguda
A utilização de inibidores da DPP-4 tem sido associada a um risco de pancreatite aguda, e esta foi observada em doentes a tomar linagliptina. Os doentes devem ser informados dos sintomas característicos. Se se suspeitar de pancreatite, o tratamento deve ser interrompido; se for confirmada, a linagliptina não deve ser reiniciada. É necessária precaução em doentes com antecedentes de pancreatite.
Penfigoide bolhoso
Foi observado penfigoide bolhoso em doentes a tomar linagliptina. O tratamento deve ser interrompido se houver suspeita.
Gravidez, amamentação e fertilidade
- Gravidez: a linagliptina não foi estudada em mulheres grávidas. Os estudos em animais não revelam efeitos nocivos diretos ou indiretos na reprodução. Como medida de precaução, é preferível evitar a linagliptina durante a gravidez.
- Amamentação: os dados em animais mostram que a linagliptina ou os seus metabolitos passam para o leite, e não se pode excluir um risco para a criança amamentada. Tem de ser tomada uma decisão sobre se se deve interromper a amamentação ou interromper ou evitar a linagliptina, tendo em conta o benefício da amamentação para a criança e o benefício do tratamento para a mãe.
- Fertilidade: não foram realizados estudos de fertilidade em seres humanos; os estudos em animais não revelam efeitos nocivos diretos ou indiretos.
Efeito sobre a condução
A linagliptina tem influência nula ou desprezável sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas. Os doentes devem ser alertados para o risco de hipoglicemia, especialmente quando é associada a uma sulfonilureia ou à insulina.
Condições de conservação
Os comprimidos de Trajenta não requerem condições especiais de conservação. São fornecidos em blisters unidose perfurados de alumínio. Manter fora da vista e do alcance das crianças.
Prazo de validade
3 anos.
Condições de dispensa em farmácia
Apenas mediante receita médica (Rx): um medicamento sujeito a receita médica. Os comprimidos são tomados em casa, pelo que são fornecidos ao doente ou à clínica que o trata mediante receita.
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DrugBank — Linagliptin (DB08882); EMA SmPC — TrajentaÚltima revisão:
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