Proguanil
Antimalárico biguanida (pró-fármaco inibidor da di-hidrofolato-redutase)
O proguanil é um pró-fármaco antimalárico biguanida em uso clínico desde 1948. Após absorção oral, é parcialmente metabolizado pelo citocromo P450 2C19 (e CYP3A4) ao metabolito triazínico ativo **cicloguanil**, potente inibidor da di-hidrofolato-redutase (DHFR) do Plasmodium. O cicloguanil bloqueia a biossíntese de purinas e pirimidinas dependente do folato no parasita, interrompendo a divisão nuclear na fase de esquizonte nas formas hepáticas e eritrocitárias. O próprio proguanil tem atividade antimalárica intrínseca adicional — independente da formação de cicloguanil — pela colapso do potencial de membrana mitocondrial do parasita, o que constitui a base da sua sinergia com a atovaquona na amplamente utilizada associação fixa atovaquona/proguanil (Malarone). A monoterapia com proguanil (Paludrine) é hoje utilizada apenas em regimes de nicho selecionados (associação histórica cloroquina + proguanil em zonas sensíveis à cloroquina, raramente em monoterapia); a associação em dose fixa é a forma moderna principal.
Disponível sob as marcas
Esta substância ativa é comercializada sob as seguintes marcas, consoante a região e o fabricante:
- Paludrine (proguanil em monoterapia — sobretudo histórica / de nicho) ®
- Malarone (atovaquona/proguanil) ®
- Malarone Junior / Malarone Pediátrico (atovaquona/proguanil em dosagem pediátrica) ®
As marcas são marcas registadas dos respetivos titulares. A Pharmalogistic não representa, fabrica nem distribui os produtos de marca acima indicados.
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Perguntas frequentes
Proguanil: para que é utilizado?
O proguanil é um pró-fármaco antimalárico biguanida em uso clínico desde 1948.
Proguanil: é necessária receita médica?
Sim. Proguanil é um medicamento sujeito a receita médica. É necessária uma receita válida emitida por um médico licenciado, e as regras de prescrição do país de destino são verificadas antes de qualquer envio.
Proguanil: como deve ser conservado?
Conservar Proguanil a Malarone (com atovaquona): sem condições especiais de conservação. Paludrine (proguanil isolado): inferior a 25 °C, ao abrigo da humidade., na embalagem de origem, ao abrigo da luz e fora do alcance das crianças.
Proguanil: precisa de envio refrigerado (cadeia de frio)?
Não. Proguanil é estável a Malarone (com atovaquona): sem condições especiais de conservação. Paludrine (proguanil isolado): inferior a 25 °C, ao abrigo da humidade., pelo que basta uma embalagem de proteção padrão; durante o transporte, o produto continua protegido do calor e da humidade.
Proguanil: sob que marcas é comercializado?
Proguanil comercializa-se sob as marcas Paludrine (proguanil em monoterapia — sobretudo histórica / de nicho), Malarone (atovaquona/proguanil), Malarone Junior / Malarone Pediátrico (atovaquona/proguanil em dosagem pediátrica), consoante o país e o fabricante. As marcas são propriedade dos respetivos titulares; a Pharmalogistic não representa nem distribui os produtos de marca.
Proguanil: que dosagens estão disponíveis?
Proguanil está disponível nas seguintes dosagens: Proguanil em monoterapia: comprimido de 100 mg (Paludrine), Comprimido do adulto atovaquona/proguanil (Malarone): 250 mg de atovaquona + 100 mg de cloridrato de proguanil, Comprimido pediátrico atovaquona/proguanil (Malarone Junior): 62,5 mg de atovaquona + 25 mg de cloridrato de proguanil. A dosagem adequada e o esquema posológico são determinados pelo médico assistente.
Proguanil: qual é o prazo de validade?
O prazo de validade de Proguanil é de Malarone: 5 anos. Paludrine: habitualmente 3 anos. quando o produto é conservado conforme recomendado. Não utilizar após o prazo de validade impresso na embalagem.
Informação médica e orientações
Farmacologia, indicações e perfil de segurança desta substância ativa
Ação farmacológica
O proguanil é um dos antimaláricos sintéticos mais antigos ainda em uso ativo, com um modo de ação duplo cada vez mais importante à medida que a resistência erodiu a utilidade dos antimaláricos de mecanismo único. Após absorção oral, uma fração é convertida pela CYP2C19 hepática (predominante) e pela CYP3A4 a cicloguanil, uma triazina que inibe a DHFR do Plasmodium. O composto original exerce também atividade antimalárica por colapso do potencial de membrana mitocondrial do parasita — independente da formação de cicloguanil —, propriedade que está na base da sinergia com a atovaquona.
Mecanismo de ação
- Ativação a cicloguanil (via DHFR): o proguanil é ciclisado pela CYP2C19 hepática (e, em menor grau, pela CYP3A4) a cicloguanil, uma di-hidrotriazina. O cicloguanil liga-se à di-hidrofolato-redutase (DHFR) do Plasmodium com afinidade muito superior à enzima humana, bloqueando a redução do di-hidrofolato a tetra-hidrofolato.
- A jusante: a depleção dos dadores de um carbono dependentes do tetra-hidrofolato detém a síntese de novo de purinas e pirimidinas no parasita, parando a replicação do ADN. O efeito manifesta-se como falência da divisão nuclear na fase de esquizonte nas formas hepáticas e eritrocitárias.
- Resistência ao cicloguanil: desenvolvimento rápido de resistência em muitas regiões (mutações pontuais na DHFR S108N, N51I, C59R, I164L conferem níveis crescentes de resistência ao cicloguanil e à pirimetamina). Esta resistência limita a eficácia do proguanil em monoterapia e é a razão por que raramente é utilizado isolado.
- Atividade independente do cicloguanil: o próprio proguanil (não através do cicloguanil) colapsa o potencial de membrana mitocondrial do parasita nas concentrações atingidas in vivo. Esta ação é sinérgica com a atovaquona — o proguanil potencia o efeito da atovaquona sobre o complexo bc1 e despolariza a mitocôndria do parasita, mesmo em metabolizadores lentos da CYP2C19 que geram pouco cicloguanil. É essa a base da elevada eficácia da associação Malarone (atovaquona/proguanil).
- Metabolizadores lentos da CYP2C19: 3–5 % dos caucasianos, 15–20 % dos asiáticos do Leste e ~ 4 % das populações negras são metabolizadores lentos da CYP2C19; geram pouco cicloguanil. Na monoterapia com proguanil isso é relevante; no Malarone não, porque a sinergia com a atovaquona, independente do cicloguanil, preserva a eficácia.
Farmacocinética
- Absorção: rápida e completa após doses orais de 50–500 mg; a biodisponibilidade é elevada, embora os dados farmacocinéticos em termos absolutos sejam limitados. Tomar com alimentos ou bebida com leite para reduzir o desconforto gastrointestinal.
- Volume de distribuição: distribuição tecidual extensa (não formalmente caracterizada).
- Ligação proteica: cerca de 75 %.
- Metabolismo: ciclisação predominante pela CYP2C19 (com a CYP3A4) a cicloguanil; menor desisopropilação a 4-clorofenilbiguanida.
- Semivida: composto original ~ 20 horas; cicloguanil mais curta (~ 12 horas).
- Excreção: predominantemente renal — tanto o composto original como o cicloguanil são excretados na urina. O proguanil acumula-se significativamente na insuficiência renal grave, aumentando o risco de toxicidade — base para a contraindicação renal na profilaxia com Malarone.
Indicações
- Prevenção da malária por Plasmodium falciparum em adultos e crianças (em associação com atovaquona, sob a forma de Malarone).
- Tratamento da malária aguda não complicada por Plasmodium falciparum em adultos e crianças (em associação com atovaquona, sob a forma de Malarone).
- Histórica/de nicho: prevenção da malária por Plasmodium sensível à cloroquina, em associação com cloroquina (regime atualmente raramente recomendado pela diminuição da sensibilidade à cloroquina e por existirem alternativas superiores).
O proguanil tem também atividade contra as fases hepáticas de Plasmodium vivax e P. ovale, mas não é o agente preferencial para a cura radical (a primaquina ou tafenoquina, associadas a teste da G6PD, são o padrão).
Contraindicações
- Hipersensibilidade ao proguanil, à atovaquona (na associação) ou a qualquer um dos excipientes.
- Insuficiência renal grave (depuração da creatinina < 30 mL/min): a profilaxia com proguanil ou Malarone está contraindicada pela acumulação de proguanil e de cicloguanil. O uso em tratamento na insuficiência renal grave exige avaliação cuidadosa do benefício-risco.
Efeitos indesejáveis
Proguanil em monoterapia — frequentes: desconforto gastrointestinal ligeiro (náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal), úlceras orais, estomatite, queda ligeira de cabelo com uso prolongado.
Malarone (atovaquona/proguanil) — frequentes (≥ 1/100 a < 1/10): cefaleia, dor abdominal, náuseas, vómitos, diarreia, tonturas, tosse, elevação das transaminases, exantema, prurido, sonhos vívidos.
Pouco frequentes a raros: úlceras orais, alopecia, anemia, neutropenia, reações cutâneas graves (raras: eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson), hepatite colestática, pancreatite, anafilaxia (muito rara).
Considerações na gravidez: a longa experiência clínica apoia a segurança do proguanil na gravidez nas doses antimaláricas habituais; a suplementação com ácido fólico (5 mg/dia) é recomendada quando o proguanil é utilizado na gravidez, devido à atividade antifolato fraca no hospedeiro.
Interações medicamentosas
- Varfarina e outros anticoagulantes cumarínicos: o proguanil pode potenciar o efeito anticoagulante — monitorizar atentamente o INR.
- Cimetidina: reduz o metabolismo do proguanil a cicloguanil (inibição das CYP).
- Cotrimoxazol, pirimetamina, sulfonamidas: efeito antifolato aditivo — em regra evitar a associação por períodos prolongados.
- Antiácidos contendo magnésio e alumínio, caulino: reduzem a absorção do proguanil; separar em ≥ 1 hora.
- Inibidores potentes da CYP2C19 (esomeprazol, fluvoxamina, fluconazol, voriconazol): reduzem a formação de cicloguanil — clinicamente relevante para a monoterapia com proguanil; menos importante para o Malarone, dada a sinergia independente do cicloguanil.
- Indutores potentes da CYP2C19 (rifampicina): aumentam a formação de cicloguanil, mas podem também reduzir a exposição global ao proguanil de modo imprevisível.
- Vacina oral viva contra a febre tifoide (Ty21a / Vivotif): o proguanil, em regra, não anula a resposta, mas a informação aprovada pode aconselhar uma curta separação; o atovaquona/proguanil e o Ty21a podem ser coadministrados conforme a orientação atual da OMS em medicina do viajante.
- Alimentos: tomar com alimentos ou bebida com leite e gordura, para reduzir o desconforto gastrointestinal e (quando associado à atovaquona) otimizar a absorção da atovaquona.
Administração e posologia
Os comprimidos são engolidos inteiros com alimentos ou bebida com leite. A atovaquona/proguanil deve ser sempre tomada à mesma hora todos os dias, para manter uma absorção estável do componente atovaquona.
Proguanil em monoterapia (Paludrine)
- Profilaxia no adulto: 200 mg (2 × 100 mg) uma vez por dia, com início 1 semana antes da entrada na zona de malária e mantida durante 4 semanas após a saída.
- Profilaxia pediátrica: posologia por peso, conforme a informação aprovada em vigor.
- Em associação com cloroquina (regime histórico): proguanil 200 mg/dia + cloroquina 300 mg (base) semanal.
Atovaquona/proguanil (Malarone) — profilaxia
Os comprimidos do adulto contêm 250 mg de atovaquona + 100 mg de proguanil. Tomar com alimentos, uma vez por dia.
- Adultos e doentes pediátricos ≥ 40 kg: 1 comprimido do adulto uma vez por dia.
- Faixas pediátricas de peso, com comprimidos pediátricos (62,5 mg / 25 mg):
- 11–20 kg: 1 comprimido pediátrico uma vez por dia.
- 21–30 kg: 2 comprimidos pediátricos uma vez por dia.
- 31–40 kg: 3 comprimidos pediátricos uma vez por dia.
- Esquema: iniciar 1–2 dias antes da entrada na zona de malária; manter diariamente durante a estadia; manter durante 7 dias após a saída da zona de malária.
Atovaquona/proguanil (Malarone) — tratamento da malária aguda não complicada por P. falciparum
- Adultos e doentes pediátricos ≥ 40 kg: 4 comprimidos do adulto uma vez por dia, durante 3 dias consecutivos.
- Faixas pediátricas de peso: por peso, com comprimidos do adulto ou pediátricos; consultar a informação aprovada em vigor.
Insuficiência renal
- ClCr ≥ 30 mL/min: posologia padrão.
- ClCr < 30 mL/min: profilaxia com Malarone contraindicada. O uso em tratamento exige avaliação cuidadosa do benefício-risco e ajuste posológico, conforme a orientação atual — o proguanil e o cicloguanil acumulam-se.
- Hemodiálise: dados limitados; obrigatória avaliação especializada.
Insuficiência hepática
Utilizar com precaução; dados clínicos limitados.
Dose omitida
Tomar logo que possível com alimentos; se estiver próximo da próxima dose, saltar a dose omitida. A adesão é particularmente importante para a profilaxia da malária — mesmo doses únicas omitidas num regime curto de Malarone comprometem substancialmente a proteção.
Advertências e precauções especiais
Suplementação de folato na gravidez
O proguanil inibe fracamente a DHFR humana e, em uso prolongado, pode contribuir para insuficiência funcional de folato. Em grávidas sob regimes antimaláricos contendo proguanil, coprescrever ácido fólico 5 mg/dia durante o período de vulnerabilidade (habitualmente o primeiro trimestre e até ao parto, em exposição mantida).
Hipersensibilidade
Suspender em caso de aparecimento de exantema, sobretudo com bolhas ou envolvimento mucoso. Foram descritas reações cutâneas graves raras.
Resistência e adesão
A adesão diária estrita é essencial à eficácia da profilaxia com Malarone. A falência da profilaxia ou do tratamento com atovaquona/proguanil deve motivar avaliação de resistência à atovaquona (mutações Y268S/Y268N/Y268C do citocromo b do Plasmodium) e ponderação de agentes alternativos.
Vómitos
Em caso de vómitos na 1.ª hora após a dose, repetir a dose. Os vómitos persistentes comprometem a absorção; em caso de gravidade e indicação para tratamento, mudar para um antimalárico parentérico.
Gravidez e aleitamento
- Gravidez: longa experiência humana apoia a segurança do proguanil nas doses padrão; recomenda-se suplementação com folato (5 mg/dia). Os dados de atovaquona/proguanil (Malarone) na gravidez são menos extensos — muitas orientações sugerem regimes alternativos (mefloquina em áreas sem resistência à cloroquina, ou cloroquina em áreas sensíveis) no primeiro trimestre, ponderando-se o Malarone em trimestres mais avançados quando as alternativas não são adequadas.
- Aleitamento: pequenas quantidades de proguanil e de cicloguanil são excretadas no leite; insuficientes para proteger o lactente, mas, em regra, consideradas seguras para o lactente em aleitamento.
Utilização pediátrica
O atovaquona/proguanil (Malarone) é amplamente utilizado em crianças a partir de cerca de 5 kg, com comprimidos pediátricos por faixa de peso. O proguanil em monoterapia é raramente utilizado na medicina do viajante pediátrica moderna.
Idosos
Sem ajuste posológico específico; assegurar função renal razoável antes de prescrever para profilaxia.
Efeitos sobre a condução
Foram relatadas tonturas com atovaquona/proguanil; os doentes afetados devem evitar conduzir.
Condições de conservação
Conservar a temperatura inferior a 25–30 °C, na embalagem de origem, ao abrigo da humidade.
Prazo de validade
Habitualmente 3 anos para blísteres fechados. Não utilizar após o prazo de validade.
Condições de dispensa em farmácia
Sujeito a receita médica (MSRM). Frequentemente dispensado em consultas de medicina do viajante para profilaxia da malária. O proguanil em monoterapia (Paludrine) é hoje pouco frequente na prática clínica; a associação fixa com a atovaquona (Malarone) corresponde a quase toda a utilização atual do proguanil em medicina do viajante.
Medicamentos relacionados
Outras substâncias ativas da mesma área terapêutica ou classe farmacológica.
Atovaquona
Antiprotozoário hidroxinaftoquinona (inibidor do citocromo bc1)
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Inibidor da polimerase NS5B do VHC (antiviral de ação direta análogo nucleotídico)
Sofosbuvir/velpatasvir
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Fonte da informação
Esta informação sobre o produto baseia-se em:
DrugBank — Proguanil (DB01131); RCM eMC do Reino Unido — Malarone 250 mg/100 mg (GlaxoSmithKline UK)Última revisão:
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