Insulina lispro
Análogo da insulina de ação rápida
A insulina lispro (insulin lispro) é um análogo da insulina humana de ação rápida — o primeiro análogo da insulina disponibilizado comercialmente —, produzido por tecnologia de ADN recombinante. Difere da insulina humana pela transposição da lisina e da prolina nas posições B28 e B29: a prolina em B28 é substituída por lisina, e a lisina em B29 por prolina (B28(Pro→Lys)/B29(Lys→Pro)). Esta troca quebra a superfície hidrofóbica responsável pela autoassociação em hexâmeros que existe na insulina regular, originando formas predominantemente monoméricas e diméricas em solução, absorvidas muito mais rapidamente do que os hexâmeros da insulina regular. PM 5808,0 Da; fórmula molecular C₂₅₇H₃₈₇N₆₅O₇₆S₆. Utilizada às refeições para controlar a glicemia pós-prandial na diabetes tipo 1 e tipo 2.
Disponível sob as marcas
Esta substância ativa é comercializada sob as seguintes marcas, consoante a região e o fabricante:
- Humalog ®
- Admelog ®
- Lyumjev ®
As marcas são marcas registadas dos respetivos titulares. A Pharmalogistic não representa, fabrica nem distribui os produtos de marca acima indicados.
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Perguntas frequentes
Insulina lispro: para que é utilizado?
A insulina lispro (insulin lispro) é um análogo da insulina humana de ação rápida — o primeiro análogo da insulina disponibilizado comercialmente —, produzido por tecnologia de ADN recombinante.
Insulina lispro: é necessária receita médica?
Sim. Insulina lispro é um medicamento sujeito a receita médica. É necessária uma receita válida emitida por um médico licenciado, e as regras de prescrição do país de destino são verificadas antes de qualquer envio.
Insulina lispro: como deve ser conservado?
Conservar Insulina lispro a 2-8 °C, na embalagem de origem, ao abrigo da luz e fora do alcance das crianças. Após a primeira utilização: 28 dias à temperatura ambiente (não superior a 30 °C) ou refrigerada.
Insulina lispro: precisa de envio refrigerado (cadeia de frio)?
Sim. Insulina lispro exige conservação a 2-8 °C, pelo que o envio é feito em embalagem isotérmica com elementos de refrigeração dimensionados para todo o tempo de trânsito, mantendo a cadeia de temperatura ininterrupta desde a expedição até à entrega.
Insulina lispro: sob que marcas é comercializado?
Insulina lispro comercializa-se sob as marcas Humalog, Admelog, Lyumjev, consoante o país e o fabricante. As marcas são propriedade dos respetivos titulares; a Pharmalogistic não representa nem distribui os produtos de marca.
Insulina lispro: que dosagens estão disponíveis?
Insulina lispro está disponível nas seguintes dosagens: 100 Unidades/mL, 200 Unidades/mL. A dosagem adequada e o esquema posológico são determinados pelo médico assistente.
Insulina lispro: qual é o prazo de validade?
O prazo de validade de Insulina lispro é de 24-36 meses, consoante a formulação quando o produto é conservado conforme recomendado. Não utilizar após o prazo de validade impresso na embalagem.
Informação médica e orientações
Farmacologia, indicações e perfil de segurança desta substância ativa
Ação farmacológica
A insulina lispro é um análogo da insulina humana de ação rápida, produzido por tecnologia de ADN recombinante, e o primeiro análogo da insulina disponibilizado comercialmente. Difere da insulina humana pela transposição B28(Pro→Lys)/B29(Lys→Pro) — substituindo a prolina em B28 por lisina e a lisina em B29 por prolina. Esta troca quebra a superfície hidrofóbica que conduz à autoassociação: a insulina humana regular forma hexâmeros estáveis na solução farmacêutica, que têm de se dissociar em monómeros antes da absorção subcutânea, ao passo que a lispro existe predominantemente como monómeros e dímeros, permitindo uma absorção muito mais rápida.
Mecanismo de ação
A insulina lispro exerce os mesmos efeitos fisiológicos da insulina endógena:
- Captação celular de glicose: liga-se aos recetores da insulina nas células musculares e adiposas, facilitando a entrada de glicose.
- Efeitos hepáticos: suprime a glicogenólise e a gluconeogénese, reduzindo a produção hepática de glicose.
- Síntese de glicogénio: promove o armazenamento de glicose no fígado e nos músculos.
- Metabolismo lipídico: inibe a lipólise e a produção de corpos cetónicos.
- Metabolismo proteico: aumenta a captação de aminoácidos e a síntese proteica.
Farmacocinética
| Parâmetro | Insulina lispro | Insulina humana regular |
|---|---|---|
| Início de ação | 10–15 minutos | 30–60 minutos |
| Pico de efeito | 30–90 minutos | 2–4 horas |
| Duração | 3–5 horas | 6–8 horas |
O início rápido e a duração mais curta permitem a administração imediatamente antes, durante ou pouco depois das refeições — proporcionando melhor controlo da glicemia pós-prandial e maior flexibilidade às refeições do que a insulina humana regular.
- Biodisponibilidade: 55–77 % após administração subcutânea (dependente da dose).
- Volume de distribuição: dependente da dose. A 0,1 U/kg SC: 1,55 L/kg; a 0,2 U/kg SC: 0,72 L/kg. Vd IV: 0,13 L/kg.
- Ligação proteica: não aplicável — a insulina não se liga às proteínas plasmáticas em concentrações terapêuticas.
- Metabolismo: degradada pela enzima degradadora da insulina (IDE) no fígado, rim e músculos; sem metabolitos ativos. Os dados em modelos animais mostram distribuição preferencial para o fígado e o rim como principais locais de degradação; o perfil completo de metabolitos no ser humano é limitado.
- Semivida: aproximadamente 1 hora (subcutânea); inferior à da insulina regular (~ 1,5 h SC). Semivida IV de cerca de 0,85–0,92 horas.
- Depuração (clearance): 21,0 mL/min/kg na dose de 0,1 U/kg; 9,6 mL/min/kg na dose de 0,2 U/kg (depuração não linear dependente da dose).
- Excreção: eliminação renal dos produtos de degradação.
Eficácia clínica e segurança
- Controlo da glicemia pós-prandial: superior ao da insulina regular, com excursões pós-prandiais 20–40 mg/dL mais baixas e perfis glicémicos diários mais estáveis.
- HbA1c: redução comparável ou ligeiramente superior face à insulina regular em esquemas basal-bólus.
- Hipoglicemia: taxas globais semelhantes ou inferiores às da insulina regular; hipoglicemia noturna reduzida em 30–50 %.
- Bomba de insulina: bem adequada à perfusão subcutânea contínua (PSCI), pela farmacocinética estável.
Indicações
- Diabetes mellitus tipo 1: como parte de um esquema basal-bólus, para terapêutica com bomba de insulina e para correção da hiperglicemia.
- Diabetes mellitus tipo 2: quando é necessária insulina às refeições, em associação com insulina basal ou antidiabéticos orais.
- Diabetes gestacional: quando a dieta e o exercício são insuficientes.
- Contextos agudos: cetoacidose diabética (administração intravenosa), emergências hiperglicémicas, gestão glicémica perioperatória, cuidados intensivos.
Aprovada para utilização em adultos, adolescentes e crianças.
Contraindicações
- Hipersensibilidade à insulina lispro ou a qualquer um dos excipientes.
- Hipoglicemia ativa: não administrar durante episódios de hipoglicemia.
Utilizar com precaução / podem ser necessários ajustes posológicos: insuficiência renal ou hepática, doença aguda, alterações da atividade física, alterações da dieta.
Efeitos indesejáveis
Muito frequentes: hipoglicemia — o efeito adverso mais frequente. Os sintomas vão de tremores, sudação, fome e palpitações até confusão, convulsões ou perda de consciência nos casos graves.
Frequentes (1–10 %): reações no local de injeção (lipo-hipertrofia, lipoatrofia, eritema, edema, prurido, dor), aumento de peso (habitualmente 2–4 kg em terapêutica intensiva), edema (em especial no início ou intensificação da insulinoterapia).
Pouco frequentes (< 1 %): reações alérgicas locais ou sistémicas, anafilaxia (muito rara), hipocaliemia, retenção de sódio.
Raros: anticorpos anti-insulina (habitualmente sem relevância clínica), perturbações visuais transitórias por alterações no controlo glicémico que afetam a hidratação do cristalino.
Interações medicamentosas
Fármacos que aumentam o risco de hipoglicemia: antidiabéticos orais, IECA, fibratos, fluoxetina, IMAO, salicilatos em doses elevadas, sulfonamidas antibióticas, álcool.
Fármacos que diminuem o efeito da insulina: corticosteroides, diuréticos tiazídicos, hormonas tiroideias, hormona do crescimento, simpaticomiméticos, danazol, antipsicóticos atípicos.
Fármacos que podem alterar as necessidades de insulina: bloqueadores beta (que podem também mascarar os sintomas de hipoglicemia), álcool (aumenta o risco de hipoglicemia, sobretudo em jejum), clonidina, sais de lítio.
Administração e posologia
A insulina lispro é administrada por injeção subcutânea ou por perfusão subcutânea contínua (bomba de insulina). A administração intravenosa reserva-se para contextos clínicos como a CAD.
Locais de injeção
Abdómen (absorção mais rápida), coxas, parte superior dos braços e nádegas. Alternar locais dentro da mesma região anatómica para prevenir a lipodistrofia. Manter, pelo menos, 1 cm de distância entre os locais de punção.
Momento de administração
- Injetar 0–15 minutos antes de iniciar uma refeição.
- Em determinadas situações, pode ser administrada imediatamente antes, durante ou nos 20 minutos seguintes ao início da refeição.
Individualização da dose
As necessidades diárias totais de insulina variam habitualmente entre 0,5 e 1,0 U/kg/dia, com grande variabilidade. Num esquema basal-bólus, em regra, cerca de 50 % da dose diária total é administrada como insulina basal e 50 % como insulina prandial (insulina lispro), repartida pelas refeições principais.
Métodos de doseamento às refeições:
- Contagem de hidratos de carbono: por exemplo, 1 unidade por 10–15 g de hidratos de carbono, acrescida de uma componente corretiva para glicemia elevada.
- Método de dose fixa: ingestão constante de hidratos de carbono nas refeições, com dose fixa em cada refeição.
Doses corretivas: com base no fator de sensibilidade à insulina — habitualmente, 1 unidade reduz a glicemia em 30–50 mg/dL.
Populações especiais
- Diabetes tipo 1: requer esquema basal-bólus; titular com base na monitorização da glicemia.
- Diabetes tipo 2: necessidades iniciais frequentemente inferiores; pode começar-se com ~ 4 unidades por refeição.
- Insuficiência renal/hepática: as necessidades de insulina podem diminuir; monitorizar atentamente.
- Gravidez: as necessidades aumentam, habitualmente, no 2.º e 3.º trimestres.
- Idosos: podem ter necessidades reduzidas e maior risco de hipoglicemia.
- Crianças: dose em função do peso, com ajustes frequentes.
Utilização em bomba de insulina
Aprovada para perfusão subcutânea contínua de insulina. Mudar o local de perfusão a cada 2–3 dias. Não misturar com outras insulinas no reservatório da bomba.
Mistura com outras insulinas
- Pode ser misturada com insulina NPH: aspirar primeiro a insulina lispro e injetar imediatamente após a mistura.
- Não misturar com análogos de ação prolongada (por exemplo, insulina glargina, insulina detemir, insulina degludeca).
Advertências e precauções especiais
Hipoglicemia
- Sintomas ligeiros a moderados (doente consciente): administrar 15–20 g de hidratos de carbono de absorção rápida (comprimidos de glicose, sumo, refrigerante regular); reavaliar a glicemia ao fim de 15 minutos; repetir se necessário.
- Sintomas graves (inconsciente): administrar glucagon por pessoa com formação ou recorrer de imediato aos serviços de emergência.
- Prevenção: monitorização regular da glicemia, regularidade dos horários das refeições, ajuste em função do exercício, ter uma fonte de glicose à mão, identificação médica.
Abordagem em dias de doença
Manter a insulina mesmo em jejum. Monitorizar a glicemia de 2 em 2 ou 4 em 4 horas. Pesquisar cetonas se a glicemia for > 240 mg/dL. Manter a hidratação. Contactar um profissional de saúde perante glicemia ou cetonas persistentemente elevadas.
Exercício
Aumenta a sensibilidade à insulina e a captação de glicose — pode ser necessária redução da dose ou ingestão suplementar de hidratos de carbono. Evitar injetar em zonas que vão ser exercitadas.
Desconhecimento da hipoglicemia
Alguns doentes perdem a capacidade de reconhecer os sintomas de hipoglicemia, sobretudo em diabetes de longa duração, hipoglicemias frequentes ou terapêutica intensiva. Requer alvos glicémicos menos exigentes e monitorização mais frequente.
Viagens
Transportar a insulina na bagagem de mão, com receita ou declaração médica. Ter em conta as mudanças de fuso horário. Levar insulina e material suplementares. Manter a insulina fresca, mas nunca congelada.
Gravidez e aleitamento
A insulina é o tratamento de eleição na gravidez. Compatível com o aleitamento; monitorizar a glicemia, dado que as necessidades podem diminuir no pós-parto.
Efeitos sobre a condução
A hipoglicemia pode comprometer a capacidade de conduzir em segurança. Verificar a glicemia antes de conduzir, transportar uma fonte de glicose no veículo e encostar em caso de sintomas.
Condições de conservação
Frascos/canetas fechados: conservar no frigorífico a 2-8 °C, na embalagem original. Não congelar. Proteger do calor e da luz.
Frascos abertos: podem ser conservados no frigorífico (2-8 °C) ou à temperatura ambiente (inferior a 30 °C). Utilizar até 28 dias.
Canetas abertas: não refrigerar após a primeira utilização; conservar à temperatura ambiente (inferior a 30 °C). Utilizar até 28 dias. Proteger do calor direto e da luz.
Reservatórios da bomba: mudar a cada 48 horas. Não expor a temperaturas superiores a 37 °C.
Nunca utilizar insulina congelada. Eliminar se a solução se tornar turva, viscosa ou descorada. Manter fora do alcance das crianças.
Prazo de validade
24 a 36 meses fechada, consoante a formulação. Após abertura, 28 dias. Não utilizar após o prazo de validade.
Condições de dispensa em farmácia
Sujeita a receita médica.
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DrugBank — Insulin lispro (DB00046)Última revisão:
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